quinta-feira, 30 de maio de 2013

É longo e vale a pena ler

Postado por Marcella às 12:01 0 comentários
'' Seja você mesmo'' é história pra criança


Imagine que você sofre de uma doença grave que lhe impede de lembrar como foi o dia anterior sem, no entanto, desfigurar radicalmente os seus sentimentos, desejos e vontades. Você vai para o trabalho e sabe o que tem que fazer, mas, se tentar lembrar o que fez ontem, não consegue.

Todo dia você acorda, abre os olhos e se depara com uma linda mulher do seu lado, estranha, não sabe como a encontrou e nem de onde veio. Toma um susto e acha que estava bêbado no dia anterior. Se a doença continuar, você segue de estranhamento em estranhamento suavemente estressado, pois nunca lembra com precisão o nome das pessoas, nem bem como as conheceu. Vive um dia após o outro meio deslocado, intrigado, tentando se recordar qual era a conexão de uma coisa com a outra.

Essa seria a vida de alguém que não tem as funções do córtex frontal bem ajustadas (ela é uma das primeiras afetadas sob ingestão alcoólica) e, portanto, não tem um sentimento de continuidade.

A capacidade de juntar lé com cré e pôr o tico e teco para funcionar é uma capacidade evolutiva que permitiu que o homo sapiens não tivesse que reinventar a roda ou descobrir o fogo todo dia. Toda a nossa cultura antes da escrita era passada verbalmente de geração em geração para que nada se perdesse de um determinado povo. Os mitos nasceram daí para termos uma narrativa com começo, meio e fim.

O sentimento de finititude e da morte se tornou uma ferramenta evolutiva importantíssima para que a civilização fosse construída com muita velocidade para que as relíquias psicossociais de uma cultura não se perdessem à cada funeral.

No entanto, a realidade é muito mais parecida com o sujeito esquecido que narrei no princípio do texto. Somos muito diferentes, dia após dia, mesmo que nossa mente crie uma sensação de identidade única que corre como se fosse a mesma no tempo. Chamo isso de efeito “crescimento capilar”.

Na medida que seu cabelo cresce, você não percebe que ele se alonga ou modifica, só o cabeleireiro quando vai cortar. O mesmo acontece quando você encontra uma tia velha que há muito tempo não vista, ela nota as nítidas diferenças do seu corpo e personalidade, menos você que acha que continua sendo o mesmo de sempre.

Somos mais parecidos com um picote de rolo cinematográfico, sem antes e nem depois. Cada quadro exposto sucessivamente nos dá o efeito de continuidade e movimento, quando na realidade o que existe é a sobreposição de um quadro único em sequência de outro quadro único.

Essa sensação de que somos os mesmos é benéfica historicamente, mas na vida pessoal é uma confusão, pois queremos que as pessoas sejam as mesmas que conhecemos ontem sem nenhuma alteração radical. Quando ela se comporta de um jeito não habitual nós brigamos e dizemos: “não estou reconhecendo você” e exigimos que ela volte a ser como nós a vimos pela primeira vez.

Na realidade, esse desejo por continuidade atravanca nossas relações e não nos permite avançar pra valer. Inibimos ações arriscadas das pessoas que amamos porque não queremos nenhuma quebra de enquadramento. Fazemos o mesmo conosco quando percebemos um impulso, sentimento ou pensamento estranho, então nos culpamos e punimos como se fôssemos seres repugnantes e incoerentes.

Sim, somos contraditórios e não-lineares.

A ideia muito pregada do “seja você mesmo” é bem presunçosa, além de ignorante ao afirmar que há um “si mesmo” sempre estável e inalterável. Até as células de nosso corpo se modificam e reajustas funcionalidades numa fração de segundos. A prova disso é nosso sistema ósseo se regenera de ano a ano com a ajuda dos osteoclastos e osteoblastos, que respectivamente são responsáveis por “comer” o tecido ósseo e outro “defecar” a massa que compõe o seu braço querido. Essa dança permite que você tenha lindos novos ossos todos os anos. A osteosporose é o descompasso dessa dupla dinâmica.

Assim é a nossa identidade, ali em essência, nada é linear, previsível, encadeado e causal como gostaríamos. O tempo todo inventamos teorias para explicar o porquê somos do jeito que somos e a psicologia é especialista em criar conexões aparentemente causais entre infância, adolescência e vida adulta, mas isso nem sempre é válido e plausível. Acho que é só mais um jeito de acalmar a nossa mente para a sensação de descontinuidade que nos atormentaria caso fosse vivenciada de fato.

Nos primórdios da NASA, os cientistas fizeram um experimento interessante com os candidatos à viajantes do espaço. Com receio que os astronautas tivessem vertigens e enjôos terríveis na ausência de gravidade, eles colocaram um óculos que projetava uma imagem invertida horizontamente, portanto, se seu amigo viesse dar um abraço de aniversário você, o veria caminhando no teto e com a cabeça para baixo.

O aparente desconforto inicial desaparecia completamente no prazo de 21 dias, pois o cérebro, inteligente que é, invertia a imagem do óculos para que você voltasse a ter a sensação de similaridade com as imagens que sempre viu. Eles tiraram uma valiosa lição disso que se repetia com todos os estudados. O cérebro demora 21 dias para se readaptar a qualquer estímulo, por mais estranho e maluco que seja. Por esse motivo, intuitivamente, muitos mestres criam retiros em que passam de 20 a 30 dias meditando ou tratando de um assunto exaustivamente para que você obtenha um aprendizado mais efetivo. Infelizmente as seitas malucas, governos totalitários e empresas abusivas fazem essa mesma lavagem cerebral com êxito.

Lutar contra isso seria como se acordássemos num país diferente, com uma língua distinta a cada dia. Isso poderia excitar muitas pessoas que olhariam tudo como um turista interessado, como se a pessoa amada fosse olhada como a primeira vez. Mas nosso senso de sobrevivência psíquica e manutenção do status quo ficaria lançando sinais de alarme o tempo todo pelo pânico geral que causaria não se reconhecer como é.

Quando percebo que minha mente quer me engolir – no hábito de me negar a pensar – eu faço uma coisa tola, mas que funciona: planto bananeira (sozinho para não parecer estranho). Naquela fração de segundos que todo o sangue do corpo desce para a cabeça e eu vejo o mundo ao contrário, me recordo que a sensação de continuidade enfadonha que chamamos de rotina é só uma ilusão da minha mente. Cada minuto que passa é desconhecidamente novo para os seus sentidos, então lembre disso para sair do amortecimento mental.

Se você sente que sua vida está parada ou que é infeliz (anestesia da descontinuidade), tente não deixar que suas papilas olfativas existenciais se acostumem com o perfume que você usou pela manhã.

Tocar a mulher que você ama nunca é o mesmo de sempre, é diferente em cada toque, suspiro, seja lá o que for.Conversar com um amigo também não. Cada encontro com uma pessoa é um chamado para a empatia que é o exercício constante de um momento único tentando se comunicar com o momento único do outro sem esteriótipos, preconceitos e condicionamentos.

Acho curioso que muitas pessoas encaram trâmites burocráticos para alçar vôo até um país diferente e raramente tiram um visto para viajar em suas vidas singulares.

Na real, somos estranhos constantes uns para os outros e se suportarmos a angústia do desconhecido contínuo seremos sempre turistas encantados e curiosos por nós mesmos.

(Frederico Mattos)

domingo, 26 de maio de 2013

Tudo o que escrevo é amor

Postado por Marcella às 17:35 0 comentários
A gente se conhece tão bem. Convive junto. Faz tudo - das coisas mais ordinárias até as coisas mais inocentes - em comum acordo. Nunca escondemos nada um do outro - seria impossível, afinal.Escrevo esta carta apenas para dizer o quanto fico contente, mesmo eu estando triste, de vê-lo feliz. Quer dizer, eu espero que você esteja feliz. Daqui de onde estou, posso vê-lo muito bem. Mas o que vejo ainda não é você: vejo a mim, nesta forma tristonha, melancólica e pensativa. Te escrevo para dizer que estou triste.Só quero conversar com alguém que me entenda e não possa fugir de mim. Alguém que esteja sempre por aqui. Que escute. Que cale. Que abrace e chore minhas lágrimas. E esta pessoa sou eu, e esta pessoa é você.Eu fiz tudo. Sei que nunca fui bom com escombros, mas, desta vez, eu tentei. Catei cada caco, fui atrás de cada pedra quebrada, juntei todas as pontas soltas.No fundo, bem lá no fundo, minha esperança é de que você tenha conseguido. Não gosto da palavra superado.Conseguir é mais inocente, mais cheio de vida, mais repleto de vestígios desta coisa que é amar.Por isso, espero que você tenha conseguido: voltar a sorrir, a buscar, a acreditar que há alguma razão nestas coisas todas que bradam emoção, emoção, emoção...

Será que você já sabe o que é o amor? Será que há algo novo pra descobrir sobre ele?

terça-feira, 21 de maio de 2013

Não se precipite,

Postado por Marcella às 21:33 0 comentários
Não suponha(o) o que não foi anunciado
Gestos e olhares são quase suficientemente claros
No escuro, o muro se arma
Quanto mais alto,
mais silêncio,
Então me conta o que incomoda
que eu te conto o que incomoda
e assim, desse jeito, vamos acertar
a rima, a métrica, a lógica, a tônica
o alvo, o compasso, a cadência harmônica
entre nós, entre eu e tu, entre nós
entre eu e tu e nós
Recolhe o dedo em riste,
e vamos junto desviar do que estorva
Pode ser desconfortável,
mas só com sinceridade se contorna
o muro que, no escuro, se arma
quanto mais alto,
mais silêncio...

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Lista dos desejos

Postado por Marcella às 17:19 0 comentários
Eu queria ser uma bomba de nêutrons,
E por uma vez, eu poderia explodir
Eu queria ser um sacrifício
Mas que, de alguma maneira, ainda vivesse

Eu queria ser um enfeite sentimental que você pendurou na árvore de Natal,
Eu queria ser a estrela que fica lá em cima

Eu queria ser a evidência
Eu queria ser os motivos
Para 50 milhões de mãos erguidas
E abertas em direção ao céu

Eu queria ser um marinheiro com
Alguém que esperou por mim
Eu queria ser tão feliz
Tão feliz quanto eu mesmo

Eu queria ser um mensageiro
E que todas as notícias fossem boas
Eu queria ser a lua cheia brilhando
Na janela de qualquer casa

Eu queria ser um alienígena
Numa casa atrás do sol
Eu queria ser a lembracinha
Na qual você mantém nas chaves de casa

Eu queria ser o pedal do freio
Do qual você dependeu
Eu queria ser o verbo "confiar"
E nunca te decepcionar

Eu queria ser a música no rádio
Aquela que você sintonizou
Eu queria, eu queria, eu queria, eu queria...
Eu espero que isso nunca termine

terça-feira, 14 de maio de 2013

Goethe

Postado por Marcella às 22:33 0 comentários
Johann Wolfgang von Goethe além de ser considerado o mais importante escritor alemão, cuja obra influenciou a literatura de todo mundo, é também um dos meus escritores preferidos. E como de costume, é um hábito meu ler antes de dormir, ainda mais que venho tendo problemas com o sono e isto se encaixa totalmente com o que vou levar para pensar junto com o travesseiro, ideal é deixar um trecho interpretado que está contido na tragédia intitulada de Fausto -segundo Goethe, essa obra representa o ''suma sumaruim'' de sua vida-.


Antes do compromisso há hesitação,a oportunidade de recuar,a ineficácia permanente.Em todo ato de iniciativa (e de criação), há uma verdade elementar cujo desconhecimento destrói inúmeras idéias e planos esplêndidos:no momento em que nos comprometemos de fato, a providência age também.Ocorre toda espécie de coisas para nos ajudar,coisas que de outro modo nunca ocorreriam. Toda uma cadeia de eventos surge da decisão, fazendo vir em nosso favor todo tipo de encontros,de incidentes e de apoio material imprevistos que ninguém poderia sonhar que viria em seu caminho.Comece tudo o que pode fazer,ou que sonha que pode fazer.A coragem contém em si mesma, o poder, o gênio e a magia.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Postado por Marcella às 15:03 0 comentários
It's been hard days for mamma
and hard days for me too
keep fighting for my love as a woman
and mamma cries as I knew she would do

It shouldn't be that hard
no, mamma
we accept each other
to make it easy

Life is good
life is so fine
dear, mamma
let's smile to life
and make it easy...

zero/inteira expectativa

Postado por Marcella às 07:52 0 comentários
23:06
Que confusão.
Certos pontos da vida são tão dualistas. Expectativas, por exemplo. Elas conseguem ser necessárias e cruéis ao mesmo tempo. São necessárias ao ponto de te estimular, de te fazer sentir curiosidade, encorajar, até tem o poder de fazer a gente pensar que as coisas vão dar certo (o princípio do pensar positivo). Eis que em contrapartida, mesmo que te levantem, elas te derrubam. Como se toda a base sólida da raiz forte tendesse a desparecer e todos os planos se vão junto com elas. Como é tênue a linha das expectativas. Embora sempre presente na vida de qualquer ser humano, que elas consigam deixar amor para quem as carrega; no meu caso, quero apenas ser feliz, ter um braço que me envolva pela cintura e alguém para dizer que eu não devo me preocupar com as expectativas.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Então fique

Postado por Marcella às 22:41 0 comentários
Fique mais depois do café, do almoço, jantar, do filme, da festa, do banho gelado. Fique a vida toda que eu ainda vou achar que é pouco, então fique, até… a vida que vem. Fique mais pra gente conversar sobre nada e fazer tudo que quiser, qualquer coisa é melhor quando tem você.
 

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