domingo, 22 de dezembro de 2013

Se eu corro

Postado por Marcella às 14:53 0 comentários
Eu quero guardar teu beijo
na concha das mãos
teu cheiro eu levo feito mancha na roupa
que eu não lavo, não

Sou alvo pros teus olhos claros parecidos
com essa estação
e adoro os efeitos sonoros de quando você sussurra
absurdos no ouvido do meu coração

Se eu corro
eu corro demais só pra te ver, meu bem
é que eu quero um socorro


Romance em doze linhas

Postado por Marcella às 01:27 0 comentários

quanto tempo falta pra gente se ver hoje
quanto tempo falta pra gente se ver logo
quanto tempo falta pra gente se ver todo dia
quanto tempo falta pra gente se ver pra sempre
quanto tempo falta pra gente se ver dia sim dia não
quanto tempo falta pra gente se ver às vezes
quanto tempo falta pra gente se ver cada vez menos
quanto tempo falta pra gente não querer se ver
quanto tempo falta pra gente não querer se ver nunca mais
quanto tempo falta pra gente se ver e fingir que não se viu
quanto tempo falta pra gente se ver e não se reconhecer
quanto tempo falta pra gente se ver e nem lembrar que um dia se conheceu




(Bruna Beber)

sábado, 14 de dezembro de 2013

É fácil

Postado por Marcella às 13:54 0 comentários
É fácil colocar o dedo na cara
e chamar de ladrão.
Brandar que ''ladrão bom é ladrão morto'',
mas vai saber
se ele não roubou por fome.
Não, não digo que isso justifica
ou que defendo o crime,
 a violência.
Vá reconhecer e culpar o verdadeiro responsável
pelo embrião dessas mazelas.


É fácil chamar o índio de preguiçoso.
Experimente ser expulso da sua casa,
ter sua cultura exterminada,
veja seus irmãos serem assassinados
pelo frio calibre do ''homem civilizado''.
Não é tão fácil né?

É fácil enxotar o negro.
Em uma sociedade de privilégios brancos,
onde não se tem espaço,
saúde, educação, emprego, respeito
pra esses cidadãos oprimidos diariamente.


É fácil sentir o cheiro de comida, da casa limpa, da cama macia.
É fácil garantir o funcionamento de todos os ''apetrechos babilônicos''
e não lutar pelo garantia do bem comum,
não lutar pelo coletivo.


É fácil consumir uma infinidade de coisas
que, realmente, não tem necessidade.
É fácil ignorar o grito de socorro da natureza.
É fácil apoiar um sistema que fode com as nossas vidas,
com o nosso bolso, com a nossa dignidade.

É fácil esquecer o outro
porque colocaram em nossas cabeças
a tal da competitividade.
Basearam nossas relações
na lógica do mercado.

É fácil ler isso tudo
e se dizer saturado dessa realidade.
É fácil apontar os dez dedos,
fundamentar-se em ideias rasas
e vim falar de senso de justiça
quando não é você
quem está no batente.

Abra a cabeça.
Enxergue.
Não é fácil.


sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Postado por Marcella às 22:47 0 comentários
"eu que me apaixono todos os dias,
pelos mesmos, pelos outros.
não exigir nada de ninguém.
quero é comer as vírgulas e escrever
e falar como as coisas me aparecem
sem filtro sem máscaras sem medo."

Dogma

Postado por Marcella às 22:31 0 comentários
O que fazer na cerração?
Fechar os olhos e seguir
Por que não andar na contra-mão
Se prá morrer basta estar vivo?
Será virtuoso o sermão
Se prá fazer basta dizer?
Não diga que estou errada
Falo de coisas proibidas
Pecados, padres, perdição
E as beatas rezadoras
Querendo mais e não querendo
Pedindo mais numa oração!

Foi lá por 85

Capítulo 1

Postado por Marcella às 22:07 0 comentários
Enquanto ele busca o descanso, eu agito. Enquanto ele cala e me olha, eu falo (nada com nada) e sinto vergonha. Enquanto ele tenta me entender, eu também tento entender qual é a dele. Enquanto ele toma uma dose, eu tomo duas - e exagero -. Finalmente, quando o coloco para dormir, eu reflito…

E são noites como essa – vendo como tudo mudou de uma hora pra outra - que me fazem pensar na vida. Mudança que a gente vê e pega. Tátil. Porque tem que ser.

Agarrei o novo… E que braços ele tem. Aquele que pega forte e me dá segurança; sabe? Decidi beijá-lo nas costas, lentamente, passando a unha devagar – quis devorar cada pedaço, mas ainda não chegou a hora. Tá cedo. E, em cada respiração conjunta, compassada, senti paz. Meu coração colheu uma esperança a qual foi plantada na primeira pegada de mão. Saudade de ser feliz. Que bom que ele encontrou meu sorriso e colocou de volta no meu rosto. Momentos depois, nos acalmamos. Ele pousou no meu peito, achou um descanso logo após minha oração e o meu boa noite, e adormeceu. Depois de certo tempo, fechei os meus olhos com a mesma certeza de um repouso pleno. Algumas horas depois… Eis que já era dia. Hora de acordar! A vontade era de ficar, de encontrar minha paz, de novo, em seu abraço. Mas não deu.

As coisas novas acontecem, embora saibamos que logo elas ficarão velhas. Porém, que o encanto não acabe. Um hiato de menos de uma semana nos separa..

Hoje, sem ele, senti que alguém fumava perto de mim. Quando reparei, vi que estava sendo tragada… Pela saudade.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Postado por Marcella às 02:25 0 comentários
O relógio de pulso é a algema dos escravos do tempo.
Liberte-se de suas amarras, espírito de luz.
A vida é mais
e o tempo é arte
e você pode viver.

Fato

Postado por Marcella às 01:01 0 comentários
É tanta poesia que não cabe em mim.

EU

Postado por Marcella às 00:58 0 comentários

Eu não sou o que pensam de mim,
O que falam de mim,
O que vêem em mim,
O que projetam em mim...

Eu não sou os rótulos que me deram,
Nem os papéis que assumi,
Nem as histórias que vivi,
Nem as lembranças do que fui...

Eu não sou a personalidade que visto
ou já vesti,
A profissão que exerço ou já exerci,
Os bens que adquiro ou adquiri,
Nem os conhecimentos ou os títulos que tenho ou tive,
Nem tudo que abri mão,me tomaram, dei ou perdi...

Eu não sou as imagens que inventam pra mim,
Nem as que eu mesma invento.

Não sou meus acertos,
Nem meus erros
Nem meus caminhos,
Nem minhas alegrias
Nem minhas opções,
Nem minhas desilusões...

Não sou nenhuma definição de mim
Nenhum rótulo,
Nenhum protótipo,
Nenhum estereótipo.

Não sou igual nem diferente de ninguém.
Nem superior, nem inferior
Sou única!
Sou uma e sou una!
E sou toda diversidade que há na unidade

Não sou as mentiras que contam sobre mim
Nem as que me contaram
Nem as que eu me contei

Não sou nenhum retrato do passado
Nenhum projeto do futuro
Nenhuma ideia ou conceito cristalizado
Nenhum ideal ou sonho não realizado.

Não sou melhor, nem pior
que ninguém -
Sou incomparável!!
Não sou muito, nem sou pouco -
Sou imensurável!!

Não sou grande, nem pequena -
Sou infinita!
Não sou qualquer uma, nem sou muito importante -
Sou simplesmente humana - como todos são.

Não sou nenhum juízo,
Nenhum pecado,
Nenhuma definição
Nenhuma condenação

Não sou idealista, nem sonhadora
Nem materialista, nem doutora
Sou apenas tudo que sou!

Não sou minhas qualidades
Nem meus defeitos
Nem minha aparência
Nem minha interioridade

Não sigo ídolos, nem modelos
Nem santos, nem deuses
Nem mestres,nem salvadores
Sigo a consciência que me guia, protege e ilumina.

Não sou anjo, nem demônio
Nem louca, nem normal;
Nem comum, nem extraordinária-
Sou Universal - e com ele, solidária!

Não vivo na multidão
Nem no isolamento
Nem na correria
Nem na acomodação.

Vivo como posso,
quero,
me permito,
sinto,
penso
faço
e consigo

Não vivo na miséria, nem no luxo
Sou independente de um monte de coisas
De outras, por hora, dependo.
E acredito na saudável interdependência
entre todos e de tudo.

Minha autoridade é minha maturidade.
Meu compromisso, a verdade.


Não alcancei glória, nem fama,
nem fortuna - por enquanto.
Aprendi a não ter, nem ver, fracassos.
Apenas tive, tenho e terei sempre aprendizados.

Tenho os pés no chão, sim.
Porém, no mais belo
e no mais profundo que há em mim.

EU SOU ASSIM....

Sem segredos,
sem medos,
sem começo,
meio
e fim.

Poesia, enfim!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Quando o sexo não é intimidade

Postado por Marcella às 11:32 0 comentários
Intimidade não se consegue numa noite de sexo. Por maior que seja a troca, o prazer, a peripécia, o orgasmo. Intimidade é construída diariamente, na resolução de um conflito, na confissão de um trauma, na celebração das alegrias, na torcida por uma vitória, na confiança de partilhar os sonhos mais íntimos. E isso demanda tempo, investimento voluntário, e o desejo de comprometimento. Numa noite de sexo por sexo o que se consegue é uma espécie de alívio fisiológico, uma injeção efêmera de hormônios que causam prazer, ou nem isso. Sexo por sexo poderá ser tão saudável quanto sexo com amor, mas não promove intimidade. A carícia de quem ama alimenta os seus campos sutis, sua alma; a carícia de quem vivencia apenas o desejo alimenta o corpo.
(Uma luz ilumina a superfície, a outra penetra.) 
Penetrar um corpo numa relação sexual não necessariamente significa comunhão com ele. E o prazer, na ausência da comunhão, é muito mais solitário e individual, mesmo que simultâneo.Penetrar um corpo com amor é ter vontade de perder-se e a confiança de que se estará seguro nesta entrega de todos os sentidos. Poderá haver tanta poesia numa relação quanto em outra, mas intimidade não. Poderá haver tanta diversão e desejo em uma como em outra, mas intimidade só se consegue com o antes e o depois em consonância com o durante. Sexo sem amor pode ser tão gostoso quanto com. Mas poder dizer um euteamo sonoro, com toda a força do teu coração, naquele momento em que alguém se funde a você, é um orgasmo-bônus que só a intimidade proporciona.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Uma intertextualidade com um texto de Caio F.

Postado por Marcella às 14:13 1 comentários
Renunciar a algo que amamos muito e que desejamos com toda a força do coração é uma das decisões mais cruéis de se tomar que conheço. Porque a perda equivale a uma morte dupla: morrer para alguém e matar a pessoa na gente. É como se sobrasse por dentro apenas um casarão vazio com um jardim morto. E, de repente, tudo tão subitamente anoitecido sem previsões de dia novo. É um caminhar lento e arrastado numa espera sombria de que as horas passem e o tempo leve essa febre alta sem medicação possível. É preciso que haja tanta paciência e firmeza por dentro pra não entrar em desespero, que a sensação que se tem é de estar meio fora do ar, com tanto esforço. E até chorar fica difícil, teme-se que nunca mais o choro cesse. Há muitas perdas quando se termina algo que não se queria ter terminado: muda-se a autoimagem, alegrias ficam suspensas, sonhos desaparecem por um tempo e nenhuma cor na paisagem. O cotidiano fica obscurecido por aquela lacuna aberta no meio do que era a parte mais interessante dos dias. Com o tempo, você analisa que abrir mão de algo muito importante, só se faz quando se tem um motivo maior que esse algo: seja um propósito, uma crença, um valor íntimo, uma obstinação qualquer que te oriente para essa escolha que já se sabia tão dolorosa. É um sacrifico voluntário por algo mais pleno, mais grandioso em Beleza. E, nestas análises, você descobre outras perdas que são positivas: perde-se também a ansiedade, a insegurança e a ilusão. E você aprende a recomeçar agradecendo por vitórias tão pequenininhas... Como quando é noite e antes de dormir você se enche de gratidão: “obrigada, porque é noite e eu tenho o sono...Que venha um sonho novo, então.”


 

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