segunda-feira, 25 de novembro de 2013
desvario
Ele colocou os olhos em cima dos meus e sussurrou como um deus grego da mais pura tranquilidade: calma! Sabe quando você tem a sensação de que o outro sabe exatamente como guiar, dar uma direção naquela determinada hora/momento? Pois bem. Encarei como um pedido porque 'controle' não exista em minha atmosfera. Mal ele sabia que aquelas mãos não sabiam nada sobre, nem onde se metiam pela primeira vez. Estas não imaginavam como era a urgência do toque, do contato, do simples fato de gostar daquilo, do simples ato de se atritar dois corpos em um espaço tão macio. E assim seguiu, marcado, no compasso, com um gosto amargamente-doce, com um sorriso cheio de dentes - de tirar o fôlego- que naquele instante me preencheu por inteira, colocando dentro de mim uma energia que precisava sentir, deixando comigo um pedido de quero mais.
Maquiavel republicano?
Os textos políticos do florentino Nicolau Maquiavel (1469-1527) transformam profundamente a natureza da reflexão sobre o poder, justificando a admissão — consensual entre os teóricos contemporâneos — da originalidade de suas teses. Entretanto, o amplo reconhecimento sobre a importância de seus escritos, que se tornaram referência imprescindível aos estudos políticos posteriores,raramente é acompanhado de uma rigorosa apreciação das reflexões desenvolvidas por este autor. Assim, prevalecem noções como as de que o filósofo era intransigente partidário do absolutismo monárquico, de que exaltava a utilização da violência estatal e de que não se importava com o valor moral dos meios utilizados pelos governantes, desde que servissem à perpetuação de seu poder político. Trata-se de uma leitura parcial de sua obra, que encontra sua síntese no adjetivo maquiavélico, termo associado ao logro, ao ardil, a intenções ocultas e desonrosas.O exame atento de seus argumentos, porém, revela-nos um retrato muito distinto daquele que nos é tradicionalmente oferecido pelos manuais de história e de filosofia. O realismo político de Maquiavel conduz, isto sim, à concepção política republicana, assentada na institucionalização dos conflitos sociais e na delimitação de uma dimensão sociopolítica autônoma, regida por critérios éticos próprios. O caminho adequado à compreensão de sua teoria política tem como ponto de partida o seu realismo político, ou seja, a postura da qual derivam a identificação. do conflito como elemento inerente às relações políticas e a afirmação de uma esfera pública separada dos domínios da vida privada. O denominado realismo político de Maquiavel exprime seu empenho em desvelar a efetividade das relações sociopolíticas em suas bases históricas, renunciando, dessa forma, ao suposto idealismo das teorias então vigentes na tradição ocidental, dos antigos gregos ao humanismo renascentista. Nas filosofias políticas tradicionais, o exercício do poder era vinculado à conceituação de um corpo cívico harmônico, sendo a paz o horizonte supremo da realização política. Segundo Maquiavel, harmonia e paz são discursos completamente idealizados, que não possuem raízes no terreno histórico da humanidade. Para ele, é indispensável que a reflexão política se baseie no plano factual, isto é, nas observações das experiências concretas das sociedades humanas. Nessa perspectiva, sob as transformações da história da humanidade repousa uma natureza humana imutável, ou melhor, em diferentes épocas e sociedades, os seres humanos são sempre ambiciosos, caprichosos e egoístas. Contudo, essas características naturais dos homens não se pronunciam incondicionalmente, quer dizer, manifestam-se com maior ou menor intensidade de acordo com as ordenações sociopolíticas historicamente estabelecidas. Maquiavel, portanto, destaca a historicidade humana como um conjunto de experiências que indicam possibilidades autênticas de ação política para os homens, condutas estas que são possíveis precisamente porque situadas no solo objetivo da história e limitadas pela natureza humana. Natureza humana e história, por seu turno, ensinam que dos homens não se dever esperar a paz permanente e a harmonia sociopolítica, a saber, os conflitos são inevitáveis, e, diante dessa constatação, a melhor forma de organização política é aquela que confere às disputas sociais os canais institucionais que evitem a desagregação e promovam o bem público.Assim, qual seria essa forma superior de ordenação política? A resposta de Maquiavel aparece em seu livro intitulado Discursos, texto que compõe com O príncipe, sua obra mais famosa, o eixo de seu pensamento político. A melhor forma de estruturação política da sociedade é a república, pois esta promove maior distribuição no exercício do poder e fixa mecanismos institucionais de substituição dos magistrados, sendo estes os fundamentos necessários ao envolvimento dos cidadãos com os temas públicos e aos procedimentos criteriosos para a escolha dos representantes da autoridade estatal. Em resumo, a república, precisamente por sua organização relativamente horizontal das relações políticas, reforça o compromisso dos cidadãos com a esfera política e facilita, com seu aparato institucional, a condução virtuosa dos governantes. Dessa maneira, então, a capacidade de enfrentar virtuosamente as circunstâncias, assegurando a presença do poder público na sociedade, não depende das qualidades pessoais de um monarca, consolidando-se, isto sim, no centro do corpo cívico. Em outros termos, a virtude, sempre conceituada no enfrentamento político eficiente das adversidades, não é mais dependente dos predicados individuais de um príncipe, transferindo-se para as leis republicanas, ou melhor, a virtude torna-se menos suscetível aos arbítrios de um monarca absolutista, uma vez que consiste na ordenação política que envolve o conjunto dos cidadãos e que se baseia no exercício da liberdade cívica. Porém, como salientamos anteriormente, o corpo cívico maquiavélico não é um conjunto harmônico e isento de conflitos, sendo, ao contrário, uma totalidade constituída pela tensão de interesses contraditórios. Dessa maneira, o regime político mais eficiente — eficiência entendida como estabilidade do poder e, consequentemente, como predomínio do espírito público — não é aquele que possa suprimir as lutas sociais — metas, segundo Maquiavel, inatingíveis justamente porque são idealistas as suas premissas. Em direção oposta, a melhor ordenação política é a república que viabiliza institucionalmente os conflitos imanentes às relações sociais entre os seres humanos. Sob esse prisma, a república facilita a demarcação de fronteiras entre a ética da esfera pública e a ética da esfera privada, sendo tal diferenciação uma das contribuições decisivas do autor florentino para o pensamento político ocidental. Afinal, Maquiavel declara que o valor da ação dos estadistas e dos cidadãos não pode ser medido por critérios de moralidade exterior à política, sendo virtuosas todas as condutas que concorrem para a permanência do poder político, mesmo que isso implique procedimentos que seriam condenáveis no âmbito das relações pessoais. Utilizando um exemplo simples e, ao mesmo tempo, esclarecedor, poderíamos dizer que, enquanto na vida privada a moral prescreve que devemos socorrer nossos amigos sempre que estiverem em apuros, na vida pública o princípio ético é outro: não é licito colocar os interesses dos amigos acima dos interesses públicos. Nesses termos, a teoria política de Maquiavel possui atualidade e, a despeito de ser passível de críticas, talvez ofereça conceitos importantes para pensarmos particularmente na realidade sociopolítica brasileira, na qual, frequentemente, a esfera pública é tratada como mera extensão dos interesses pessoais existentes na esfera privada.
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
recanto da felicidade
Corre. Para.
Finge que ouve,
Mas só fala.
E são tantas vozes,
Onde uma dá risada da outra
De tão absurdo que é.
As vezes bonito,
Mas mesmo assim tudo isso
Acontece entre diferentes eus
Que já não se sabe mais quem são,
Pois por baixo da superfície,
Só um infinito colorido.
Sem forma,
Sem pertencer a esse mundo
Ou a qualquer coisa.
Então silencia...
E de repente
Lá está ela,
A felicidade!
Sorrindo e acenando
Nas coisas mais simples
Sem motivos e explicações
Finge que ouve,
Mas só fala.
E são tantas vozes,
Onde uma dá risada da outra
De tão absurdo que é.
As vezes bonito,
Mas mesmo assim tudo isso
Acontece entre diferentes eus
Que já não se sabe mais quem são,
Pois por baixo da superfície,
Só um infinito colorido.
Sem forma,
Sem pertencer a esse mundo
Ou a qualquer coisa.
Então silencia...
E de repente
Lá está ela,
A felicidade!
Sorrindo e acenando
Nas coisas mais simples
Sem motivos e explicações
No mesmo novo lugar de sempre
No encontro de corações
No encontro de corações
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Encontro
Estou pensando em você e quero te ver. Admito, preciso só de você, de qualquer jeito. Nem que seja pra compartilhar o silêncio, um cigarro, uma vitamina de morango com sorvete. Mas preciso de você. Qualquer você.
Você de doce ou implicante. Ou você alegre, me jogando no sofá como se eu fosse um dog de estimação ou uma almofada indiana. Sei lá. Invada a minha sala, o meu jeans e a minha camisa de botão. Mas, peço que se demore por aqui. Me traga uns beijos na testa, umas mordidas no canto da mão e umas lambidas na cara de quando queria me irritar na frente dos nossos amigos. Sinto falta de você, de mim e de nós.
Vez em quando, proponho a mim te esquecer. Ai, logo após uns segundos, lembro uns risinhos seus e daquelas ajeitadas de cabelo que balançavam meu mundo inteiro e acabando esquecendo o que me propus. Noutros momentos, tenho vontade de te sacudir só para tentar roubar segredos de como conseguiu me esquecer assim tão fácil. Em que médico foi? Qual remédio tomou? É comprimido ou em gotas? Quantas vezes ao dia? Fez quimioterapia? Banho de sal grosso? Sei lá. Vejo o seu sorriso por aí e teus dentes gritam que já não sou mais inquilina do teu corpo. E eu que já te vomitei como uma alcoólatra em dia de porre, cada vez mais sinto você aumentando aqui dentro nesta gravidez eterna.
Mas logo mais, quando a noite chegar, você sentirá que precisa mais de mim do que imagina. Vai jurar que não, mas no fundo, no fundo, assumirá a falta que te fiz nos seus dias. Vai dizer de todas as bandas novas que ouviu e pensou em colocar no iPod para ouvir junto comigo. Vai contar sobre as novas cidades que conheceu e sobre os cartões portais que me escreveu, mas não me enviou. Vai relembrar cada gargalhada que deu e que ficou triste logo após notar que não iria me contar o motivo da tua felicidade.
Eu tô com um tanto de novidades. Novos livros. Novos autores. Novos filmes me fazem chorar como uma menininha. Talvez, agora, lendo isso aqui ou perdido entre os cigarros, você queira voltar. Volta. E a gente prova ao mundo inteiro que em um segundo de encontro, o nosso amor cura todas as eternas horas afastados.
Você de doce ou implicante. Ou você alegre, me jogando no sofá como se eu fosse um dog de estimação ou uma almofada indiana. Sei lá. Invada a minha sala, o meu jeans e a minha camisa de botão. Mas, peço que se demore por aqui. Me traga uns beijos na testa, umas mordidas no canto da mão e umas lambidas na cara de quando queria me irritar na frente dos nossos amigos. Sinto falta de você, de mim e de nós.
Vez em quando, proponho a mim te esquecer. Ai, logo após uns segundos, lembro uns risinhos seus e daquelas ajeitadas de cabelo que balançavam meu mundo inteiro e acabando esquecendo o que me propus. Noutros momentos, tenho vontade de te sacudir só para tentar roubar segredos de como conseguiu me esquecer assim tão fácil. Em que médico foi? Qual remédio tomou? É comprimido ou em gotas? Quantas vezes ao dia? Fez quimioterapia? Banho de sal grosso? Sei lá. Vejo o seu sorriso por aí e teus dentes gritam que já não sou mais inquilina do teu corpo. E eu que já te vomitei como uma alcoólatra em dia de porre, cada vez mais sinto você aumentando aqui dentro nesta gravidez eterna.
Mas logo mais, quando a noite chegar, você sentirá que precisa mais de mim do que imagina. Vai jurar que não, mas no fundo, no fundo, assumirá a falta que te fiz nos seus dias. Vai dizer de todas as bandas novas que ouviu e pensou em colocar no iPod para ouvir junto comigo. Vai contar sobre as novas cidades que conheceu e sobre os cartões portais que me escreveu, mas não me enviou. Vai relembrar cada gargalhada que deu e que ficou triste logo após notar que não iria me contar o motivo da tua felicidade.
Eu tô com um tanto de novidades. Novos livros. Novos autores. Novos filmes me fazem chorar como uma menininha. Talvez, agora, lendo isso aqui ou perdido entre os cigarros, você queira voltar. Volta. E a gente prova ao mundo inteiro que em um segundo de encontro, o nosso amor cura todas as eternas horas afastados.
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