quinta-feira, 18 de julho de 2013
Nota
Isso de gostar de escrever, te faz criar várias páginas e esquecer a senha, bem rápido e de um dia para o outro. Mesmo anotando, acabo perdendo.
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Liberdade e necessidade
É de extrema importância que você compreenda essa questão da antinomia (paradoxo) entre liberdade e necessidade. Desde criança, o homem lida com a realidade do espaço. Os pedagogos e psicólogos já produziram vários estudos sobre como se incorpora essa noção no repertório conceitual de cada um a partir das experiências concretas enquanto se lida com os objetos ao redor.
Você já observou, por exemplo, uma criança tentando introduzir uma chupeta numa caixa de fósforos ou algo semelhante. Já na adolescência, aprende-se conceitualmente que um recipiente que contém 1.000 centímetros cúbicos não pode conter mais de 1.000 mililitros de água. Mais tarde pode-se pensar a infinitude do espaço. Entretanto, não é possível experimentar concretamente o que o pensamento acabou de conceber ou intuir. Aí está a contradição. O pensamento é livre e ilimitado, as possibilidades de realização no pensado, no entanto, são circunstanciadas e submetidas a mediações.
A consideração desse problema já encheu páginas incontáveis de livros, consumiu o tempo de muitos homens e produziu momentos luminosos na arte em geral, e na literatura e na música popular.
Em seguida, a letra de uma canção de Chico Buarque de Hollanda e de Edu Lobo. Analise nesse poema o paradoxo entre a liberdade e a necessidade, entre infinitude do desejo e a finitude da ação. Veja como autores fazem uma queixa ao Criador, justamente pela desproporção entre o que se quer e o que se pode. Em outros termos, entre liberdade e necessidade, entre contingente e necessário.
Pelo amor de Deus
Não vê que isso é pecado, desprezar quem lhe quer bem
Não vê que Deus até fica zangado vendo alguém
Abandonado pelo amor de Deus
Ao Nosso Senhor
Pergunte se Ele produziu nas trevas o esplendor
Se tudo foi criado - o macho, a fêmea, o bicho, a flor
Criado pra adorar o Criador
E se o Criador
Inventou a criatura por favor
Se do barro fez alguém com tanto amor
Para amar Nosso Senhor
Não, Nosso Senhor
Não há de ter lançado em movimento terra e céu
Estrelas percorrendo o firmamento em carrossel
Pra circular em torno ao Criador
Ou será que o deus
Que criou nosso desejo é tão cruel
Mostra os vales onde jorra o leite e o mel
E esses vales são de Deus
Pelo amor de Deus
Não vê que isso é pecado, desprezar quem lhe quer bem
Não vê que Deus até fica zangado vendo alguém
Abandonado pelo amor de Deus
Você já observou, por exemplo, uma criança tentando introduzir uma chupeta numa caixa de fósforos ou algo semelhante. Já na adolescência, aprende-se conceitualmente que um recipiente que contém 1.000 centímetros cúbicos não pode conter mais de 1.000 mililitros de água. Mais tarde pode-se pensar a infinitude do espaço. Entretanto, não é possível experimentar concretamente o que o pensamento acabou de conceber ou intuir. Aí está a contradição. O pensamento é livre e ilimitado, as possibilidades de realização no pensado, no entanto, são circunstanciadas e submetidas a mediações.
A consideração desse problema já encheu páginas incontáveis de livros, consumiu o tempo de muitos homens e produziu momentos luminosos na arte em geral, e na literatura e na música popular.
Em seguida, a letra de uma canção de Chico Buarque de Hollanda e de Edu Lobo. Analise nesse poema o paradoxo entre a liberdade e a necessidade, entre infinitude do desejo e a finitude da ação. Veja como autores fazem uma queixa ao Criador, justamente pela desproporção entre o que se quer e o que se pode. Em outros termos, entre liberdade e necessidade, entre contingente e necessário.
Sobre todas as coisas
Não vê que isso é pecado, desprezar quem lhe quer bem
Não vê que Deus até fica zangado vendo alguém
Abandonado pelo amor de Deus
Ao Nosso Senhor
Pergunte se Ele produziu nas trevas o esplendor
Se tudo foi criado - o macho, a fêmea, o bicho, a flor
Criado pra adorar o Criador
E se o Criador
Inventou a criatura por favor
Se do barro fez alguém com tanto amor
Para amar Nosso Senhor
Não, Nosso Senhor
Não há de ter lançado em movimento terra e céu
Estrelas percorrendo o firmamento em carrossel
Pra circular em torno ao Criador
Ou será que o deus
Que criou nosso desejo é tão cruel
Mostra os vales onde jorra o leite e o mel
E esses vales são de Deus
Pelo amor de Deus
Não vê que isso é pecado, desprezar quem lhe quer bem
Não vê que Deus até fica zangado vendo alguém
Abandonado pelo amor de Deus
Lobo, Edu e Buarque, Chico. Paratodos, 1983
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