quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
eu e você, Morfeu e eu
Enquanto dormia ao lado dele, fiquei matutando com meus botões...
Quando durmo com ele, meu pensamento voa bem longe.
Quando durmo com ele, a noite parece encurtar, talvez seja porque vamos dormir tarde aproveitando um ao outro e a madrugada vai chegando, logo depois, a manhã.
Quando durmo com ele, o sono é melhor do aquele quando durmo sozinha, na minha cama de solteiro.
Quando durmo com ele nada melhor do que pousar a cabeça em seu peito -respirando paz e segurança- e receber o primeiro beijo do dia.
Quando durmo com ele, a cama faz a morada de um lugar que quero permanecer e jazer de amor.
Quando durmo com ele, o dia já começa com diálogos e gargalhadas que saem por entre os lençóis.
Quando durmo com ele, derreto-me. -derreto-me ao sentir tua perna se enroscar na minha e saber que tudo vai começar de novo, mais uma vez-.
Quando durmo com ele, sinto-me a pessoa mais feliz do mundo. Recebo os melhores abraços e beijos matinais: - Bom dia, meu amor! Dormiu bem?
Ah, perdoem-me a extravagância misturada com filosofia sensacionalista, mas eu gostaria de ter esta ''rotina'' durante todos os dias da minha vida.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
dúvida e conclusão
- Quantas já perambularam no coração dele?
- Não sei, muito embora perceba que são tantas aos pés desse rapaz...
(Ele adoça a boca, dá um gosto diferente daqueles de uma sede insaciável.
Sentimento no toque, na fala e no olhar.)
- Ah! Descobri qual ar que o definia:
- Não sei, muito embora perceba que são tantas aos pés desse rapaz...
(Ele adoça a boca, dá um gosto diferente daqueles de uma sede insaciável.
Sentimento no toque, na fala e no olhar.)
- Ah! Descobri qual ar que o definia:
Era o ar de poeta...
Embalada pela bossa
O encanto se concretiza quando com olhos inocentes você admira
Tudo o que já fiz.
Fui movida pelo tempo, lançada aos ventos, desprendida a momentos
Buscando uma única diretriz.
Chamou-me atenção pelo olhar
Pousou-me a paz no peito
Encheu-me a cabeça de anseios
Receios.
Encontro-me igualmente embevecida ao lado teu
Quero libertá-lo assim que conquistar a minha liberdade
Quero prender-me assim que me apresentares à prisão
Sei que ela mora no peito, onde a paz pousou primeiro
Com ar de troca, a gente já se enrosca e pede calma a nossa história.
Tudo o que já fiz.
Fui movida pelo tempo, lançada aos ventos, desprendida a momentos
Buscando uma única diretriz.
Chamou-me atenção pelo olhar
Pousou-me a paz no peito
Encheu-me a cabeça de anseios
Receios.
Encontro-me igualmente embevecida ao lado teu
Quero libertá-lo assim que conquistar a minha liberdade
Quero prender-me assim que me apresentares à prisão
Sei que ela mora no peito, onde a paz pousou primeiro
Com ar de troca, a gente já se enrosca e pede calma a nossa história.
Clarice Lispector
O caminho que eu escolhi é o do amor. Não importam as dores, as angústias, nem as decepções que eu vou ter que encarar. Escolhi ser verdadeira. No meu caminho, o abraço é apertado, o aperto de mão é sincero, por isso não estranhe a minha maneira de sorrir, de te desejar o bem. É só assim que eu enxergo a vida, e é só assim que eu acredito que valha a pena viver.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
William Shakespeare
Eu aprendi que não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
espinho e vida
Nem sempre é fácil viver.
Há dias amenos, com gosto do mesmo pão com ovo que você janta todos os dias. Há dias que machucam, como espinho escondido na sola da sandália: inerte, o espinho não agride seu pé: é você, com o peso das próprias pegadas, que busca o espinho.
Você anda, fere.
Há um espinho preso na sola da sua sandália, há o movimento dos seus passos, há o peso do seu corpo, há a dor: tudo programado pelo ato de ir e vir: um pequeno déjà vu corporal: mas, me diz, por que você anda?
Por que, então, você anda?
Por que, mesmo sabendo que vai doer, você anda?
A dor é suportável. É preciso mover-se. É só um espinho. Não vai te matar. Você precisa trabalhar. Há contas para pagar. É preciso buscar seu filho na escola. Tem que estudar. Não pode faltar. É aniversário da sua mãe. É dia dos pais. É prova da faculdade. Hoje tem festa. Você acredita no futuro. Você espera que as coisas melhorem. É só uma tempestade, vai passar. Você não tem pra onde ir, então continua indo.
Por que, mesmo sabendo que vai machucar, você anda?
Otimismo? Já viu alguém conseguir? Acredita na felicidade? Deus vai resolver tudo? Alguém depende de você? Você não está sozinho nessa? Você apenas quer? Você acha que consegue? Acha que vale a pena? Não é abismo, é montanha?
Por que, mesmo sabendo que há um espinho, você anda?
Por que há alguém do outro lado. Te esperando.
Alguém que vai andar descalça com você até os dias amenos, com o gosto do mesmo pão com ovo que você janta todos os dias.
Nem sempre é difícil viver.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
um texto para lembar-me de ti
Não se pode negar. Não se quer negar. Não se deve negar. O que se pode é fazer. O que se quer é crer. O que se deve é ter. Para que, com que, o que. Não sei, não posso saber, não quero saber, não devo saber. Mesmo assim, nego; mesmo assim, quero; mesmo assim, posso; mesmo assim; devo. É meu direito e meu dever e meu poder e meu querer transformar você, do meu jeito, ao meu modo, com minhas próprias receitas. São com minhas palavras, e não argila e não massa de modelar e não gesso, que consigo te esculpir, te moldar, te tornar palpável. Não se pode pegar um anjo, a não ser que este anjo seja de porcelana. Não se pode prender um sonho, a não ser que este seja de padaria. Não se pode colocar no colo um sentimento, a não ser que este seja de papel. Por isso, para te tornar palpável e humano e massa, te aprisiono neste texto, onde cada frase é uma barra de ferro a tornar a cadeia real, dura, cinza. Aqui, nestas linhas que capengam, te dou vida, te vislumbro, te transformo; você é do meu jeito para mim, mesmo que não seja para você.
Quero te dar um cantinho quente, confortável e cheio de luz para iluminar seus olhos. Quero que você tenha água fresca, fruta suculenta e uma paisagem linda a bailar em tua janela. Este texto, então, deve ser físico, concreto, construído. Veja nele um refúgio, uma paragem, uma praia. Venha até ele sempre que precisar ficar sozinho. Proteja-se do mundo sendo envolto por cada linha que, sem compromisso ou razão ou motivo, te escrevo. Só entre, gire a chave, e permaneça aqui, bem quieto no silêncio do pensamento, na cadência do sonho, na inconfundível leveza da ideia. Cada frase, se você se esforçar um pouco, será o que você quiser. Não veja a junção de palavras ou o trepidar do teclado ou a construção de termos; vá além do texto, vá além do lido, vá além das palavras; esqueça o que te ensinaram na escola: não te escrevo sobriedades, nem ideias, nem letras e mais letras; cada palavra que aqui faço brotar é uma nova cicatriz a saltar em minha pele; toque, sinta a densidade da marca, a profundidade do corte curado, a tatuagem da queda; percorra seus dedos como um cego que todos nós somos e acaricie cada letra, cada pedacinho de mim, ou de você, que aqui disponho desorganizadamente.
Não sinta medo de ir embora. Não sinta vontade de ficar. Fique ou vá, mas fique e vá sabendo-se aqui. De que adianta não ser totalmente para ser apenas um terço do que se é?
Não, não, não. Isto é fodido demais.
Eu te exijo completamente; eu te obrigo a não se parcelar; eu não te quero gomo, te quero laranja. Quero te esmiuçar completamente; quero ser, para ti, aquele brinquedo do parque: trema em mim, grite em mim, chore em mim e no fim, sorria; não aceito a imparcialidade da frieza, não me dou bem. Meu amor, escolhi não ser constante: decidi por ser eu mesma. Você é o único a quem eu permito me ver; você é o único a quem escolhi falar a verdade, sem tropeços, sem anomalias, sem capas.
Quero te dar um cantinho quente, confortável e cheio de luz para iluminar seus olhos. Quero que você tenha água fresca, fruta suculenta e uma paisagem linda a bailar em tua janela. Este texto, então, deve ser físico, concreto, construído. Veja nele um refúgio, uma paragem, uma praia. Venha até ele sempre que precisar ficar sozinho. Proteja-se do mundo sendo envolto por cada linha que, sem compromisso ou razão ou motivo, te escrevo. Só entre, gire a chave, e permaneça aqui, bem quieto no silêncio do pensamento, na cadência do sonho, na inconfundível leveza da ideia. Cada frase, se você se esforçar um pouco, será o que você quiser. Não veja a junção de palavras ou o trepidar do teclado ou a construção de termos; vá além do texto, vá além do lido, vá além das palavras; esqueça o que te ensinaram na escola: não te escrevo sobriedades, nem ideias, nem letras e mais letras; cada palavra que aqui faço brotar é uma nova cicatriz a saltar em minha pele; toque, sinta a densidade da marca, a profundidade do corte curado, a tatuagem da queda; percorra seus dedos como um cego que todos nós somos e acaricie cada letra, cada pedacinho de mim, ou de você, que aqui disponho desorganizadamente.
Não sinta medo de ir embora. Não sinta vontade de ficar. Fique ou vá, mas fique e vá sabendo-se aqui. De que adianta não ser totalmente para ser apenas um terço do que se é?
Não, não, não. Isto é fodido demais.
Eu te exijo completamente; eu te obrigo a não se parcelar; eu não te quero gomo, te quero laranja. Quero te esmiuçar completamente; quero ser, para ti, aquele brinquedo do parque: trema em mim, grite em mim, chore em mim e no fim, sorria; não aceito a imparcialidade da frieza, não me dou bem. Meu amor, escolhi não ser constante: decidi por ser eu mesma. Você é o único a quem eu permito me ver; você é o único a quem escolhi falar a verdade, sem tropeços, sem anomalias, sem capas.
sendo assim
Numerosos são os homens e as mulheres e as crianças da cidade
Eles correm, apressados, loucos varridos e nunca olham pra trás
Ou pra o lado ou pra dentro ou pra o outro;
Apenas seguem em frente, firmes, como carros desgorvernados
Atropelam sonhos, aleijam amores, passam por cima da vida.
…
O sangue jorra de olhos como os meus
Mera testemunha ocular de um crime que também cometo
Só por ser pessoa como eles.
Somos da mesma raça, seres humanos do mesmo mundo
E carregamos como herança o crime dos nossos irmãos.
…
Não há salvação pra ninguém
Nossa família está toda corrompida
A janta é solitária, o almoço esfriou e o café da manhã não foi posto.
Estamos sós, cada um, cada todos, cada cada
Lutando pela própria vida
Enfrentando as próprias dores e dificuldades e fomes.
…
Matamos pra nos mantermos vivos
Somos animais que pensam
Os piores criminosos
Pois nosso crime é consciente
Há razão no nosso disparo
Há vontade na nossa faca
Há planejamento no nosso soco.
…
Essa é nossa vida
Onde quem não mata, verá morrer
E quem não morre, verá matar.
…
Não somos melhores por sermos passionais
Não somos dignos por sermos racionais
Somos tão ou mais cruéis que os que cometem
O que não tivemos, por hora, coragem de cometer.
…
Nós temos dinheiro, carro, roupas de marca
Sexo pago, cigarro, cervejas e uma gorda conta bancária
Temos filmes, pipocas e coca-cola
Propagandas, bonés e tênis bacanas
Temos maquiagem, vestidos caros, jóias precisosas
Motos arrojadas, comidas finas, móveis nobres
Temos relógios de ouro, canetas de diamante, brincos de peróla
Temos tanta coisa pra comprar
Mas do que adianta, afinal?
Nada que custe dinheiro vale a pena ter.
….
Somos pobres banais
Desacreditados
Desvairados
Perdidos
Não nos olhamos mais
Não nos tocamos mais
Não nos sentimos mais
…
Estamos cada vez mais ricos e o diabo
Comprando carros de luxo
Conquistando mulheres gregas e troianas
Lindas modelos, gostosas e bem torneadas.
Nossa casa é bacana,
Tem quadros raros
Quartos largos
E a maçaneta da porta é de ouro.
…
Somos pobres banais,
Batalhamos tanto por dinheiro
Lutamos tanto pela riqueza
Trocamos o amor por um cheque
E nos tornamos ganância, luxúria e ambição acima de tudo.
…
Agora,
Depois de tanto correr atrás de grana
De riqueza e de fortuna e de vinhos caros
Seremos homens e mulheres e crianças
Vivendo os piores dias da vida
Nas poltronas mais confortáveis da loja.
…
Embaixo de qual cama estão os abraços que a gente deixou de dar?
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
um pouco sobre pessoas
Nós perdemos, nós ganhamos. Temos aquilo a que chamamos de liberdade.
Somos todos livres, mesmo existindo relações a que damos vulgarmente o nome de ‘amizade’ ou ‘amor’ para nos juntarmos em grupos, para fazermos parte de alguma coisa e sermos, realmente, alguém. Se formos a tentar saber qual é o valor de mil pessoas no Universo, não é praticamente nenhum. Parecemos insignificantes formigas, tontas, no nosso minúsculo Universo, criado à nossa medida. Vivemos, muitas vezes, como se não existisse mais nada para além disso, para além das leis a que estamos sujeitos, nada para além da nossa ‘costa’, nada para além dos afazeres, nada para além do que vemos.Vivemos com o que as outras formigas nos dizem ser certo.
Mas, deu-me para pensar no que efetivamente nos torna diferentes e faz com que a nossa existência seja preciosa. São as ligações, as relações. Essas,são a razão.
Existem, no meio do formigueiro, algumas ou alguma que nos faz pensar que seríamos capazes de abdicar de nós mesmos pela ‘amizade’.
Todos crescemos e somos atropelados uns pelos outros, apesar de irmos todos para o mesmo lugar. Todos envelhecemos, perdemos, mas nem todos esquecemos.
Esquece quem não tem de quem se lembrar. Não sejamos tão impertinentes com a vida. Lembrei-me de quem, daqui a uns anos, poderia nunca mais ver. Lembrei-me de quem, daqui a uns anos, ainda me vou lembrar. Espero, claro, conseguir continuar com esta união. Também vocês esperam continuar com algumas das vossas, mais do que as outras. Espero conseguir ver se teve sorte, se continua a mesma, se está a sair-se bem, se tem quem faça o que faço agora por ela.Vamos refrescando as nossas relações, fazendo ‘upgrades’.Mas existem sentimentos que não mudam.
Existem formigas que valem mais que as mil, por quem subíamos ao monte mais alto e abanava-mos uma bandeira branca com toda a pujança, para tentarmos aumentar o nosso tamanho, por quem parávamos o mundo para as deixar passar, por quem quebramos esta nossa rotina, esta nossa vida egoísta por natureza.
As pessoas, pelo menos como essa de que me lembrei, valem a pena!
Aliás, são o que nos torna imensos, o que nos faz estar, o que nos faz ficar, ir e voltar. Se uma pessoa, por mais minúscula que seja, consegue marcar a vida de outra, pelo menos na medida em que o seu ‘estatuto’ não muda ano após ano, então, não seremos assim tão pequenos, tão fracos, tão insignificantes.Existem pessoas por que faz sentido perder o comboio para apanhar o próximo, por quem vale a pena esperar para podermos ver uma nascente em conjunto, por quem vale a pena correr, acreditar, escutar… ser.
É um ciclo. Todos nos movemos por alguém, ou por alguns ‘alguém’.
E, infelizmente, todos nos esquecemos dia após dia de agradecer a quem devíamos.
Esquecemo-nos de lhes agradecermos por nos chatearem, por nos ‘esmolarem’, por nos cansarem, por nos fazerem sentir pequenos ao lado deles.Se não fosse isso, não faria sentido cá estar.Agradecer por nos gastarem, por fazerem de nós úteis, por fazem de nós alguém no meio da multidão.
Somos todos livres, mesmo existindo relações a que damos vulgarmente o nome de ‘amizade’ ou ‘amor’ para nos juntarmos em grupos, para fazermos parte de alguma coisa e sermos, realmente, alguém. Se formos a tentar saber qual é o valor de mil pessoas no Universo, não é praticamente nenhum. Parecemos insignificantes formigas, tontas, no nosso minúsculo Universo, criado à nossa medida. Vivemos, muitas vezes, como se não existisse mais nada para além disso, para além das leis a que estamos sujeitos, nada para além da nossa ‘costa’, nada para além dos afazeres, nada para além do que vemos.Vivemos com o que as outras formigas nos dizem ser certo.
Mas, deu-me para pensar no que efetivamente nos torna diferentes e faz com que a nossa existência seja preciosa. São as ligações, as relações. Essas,são a razão.
Existem, no meio do formigueiro, algumas ou alguma que nos faz pensar que seríamos capazes de abdicar de nós mesmos pela ‘amizade’.
Todos crescemos e somos atropelados uns pelos outros, apesar de irmos todos para o mesmo lugar. Todos envelhecemos, perdemos, mas nem todos esquecemos.
Esquece quem não tem de quem se lembrar. Não sejamos tão impertinentes com a vida. Lembrei-me de quem, daqui a uns anos, poderia nunca mais ver. Lembrei-me de quem, daqui a uns anos, ainda me vou lembrar. Espero, claro, conseguir continuar com esta união. Também vocês esperam continuar com algumas das vossas, mais do que as outras. Espero conseguir ver se teve sorte, se continua a mesma, se está a sair-se bem, se tem quem faça o que faço agora por ela.Vamos refrescando as nossas relações, fazendo ‘upgrades’.Mas existem sentimentos que não mudam.
Existem formigas que valem mais que as mil, por quem subíamos ao monte mais alto e abanava-mos uma bandeira branca com toda a pujança, para tentarmos aumentar o nosso tamanho, por quem parávamos o mundo para as deixar passar, por quem quebramos esta nossa rotina, esta nossa vida egoísta por natureza.
As pessoas, pelo menos como essa de que me lembrei, valem a pena!
Aliás, são o que nos torna imensos, o que nos faz estar, o que nos faz ficar, ir e voltar. Se uma pessoa, por mais minúscula que seja, consegue marcar a vida de outra, pelo menos na medida em que o seu ‘estatuto’ não muda ano após ano, então, não seremos assim tão pequenos, tão fracos, tão insignificantes.Existem pessoas por que faz sentido perder o comboio para apanhar o próximo, por quem vale a pena esperar para podermos ver uma nascente em conjunto, por quem vale a pena correr, acreditar, escutar… ser.
É um ciclo. Todos nos movemos por alguém, ou por alguns ‘alguém’.
E, infelizmente, todos nos esquecemos dia após dia de agradecer a quem devíamos.
Esquecemo-nos de lhes agradecermos por nos chatearem, por nos ‘esmolarem’, por nos cansarem, por nos fazerem sentir pequenos ao lado deles.Se não fosse isso, não faria sentido cá estar.Agradecer por nos gastarem, por fazerem de nós úteis, por fazem de nós alguém no meio da multidão.
domingo, 13 de janeiro de 2013
De repente...
Coloquei o Donavon Frankenreiter para tocar enquanto lavava
meu cabelo, eis que surge uma enxurrada de palavras para serem escritas (...).
Comecei o ano de 2013 com muitas novidades, pra ser mais sincera, tudo é muito
novo, ou melhor, sensações diferentes estão vindo em todas as direções. Já fiz
planos, planejei viagens, fiz amigos, acolhi um amor, mudei minha trilha
sonora, hoje não me falta coragem. Quero me livrar de perspectivas que tirem
minha felicidade. Não quero perder o encantamento que tenho pela vida nem a
vontade de mudá-la. Não quero ver a partida da pessoa a quem entreguei as
coordenadas do meu coração, aquela que dei até pra imaginar um lugarzinho pra
gente morar e morrer de amor. Não quero tristeza, preguiça muito menos o medo.
Se for chorar, só quero se for de alegria. Não sei o que será de mim se houver
partidas, não sei lidar com elas, talvez seja isso que eu deva melhorar só pra
poder continuar levando a vida.
lasanha congelada
Amanheço este texto para você.
Escrevo a palavra janela: e coloco, em volta dela, algum canto de pássaro, algum estremecimento solar, algum céu cristalino que te faça exclamar, rotineiramente, que o dia está lindo e te desperte, nos lábios, um sorriso: mesmo que breve, automático, sutil, que este sorriso seja matutino, inocente de mundo, limpo de ruas, puro de problemas; um sorriso simples e arteiro, divertido e cálido, acolhedor e leve.
Na palavra cama, beijo sua boca, te abraço e, minutos depois, volto com café pra você: sanduíche quente, algumas frutas e um copo com suco de laranja geladinho: vejo você comendo durante alguns parágrafos, conversamos sobre amenidades durante linhas e mais linhas, até eu te arrancar alguns sorrisos com qualquer bobagem, com qualquer sotaque, com qualquer chiste da minha voz confusa: beijo sua boca, deito você na cama e, lá, nos tornamos nós apertados entre a gente.
No chuveiro deste texto, a água é escrita com a palavra quente. E você se banha. E eu vejo você se banhar. E o vapor do chuveiro se misturando ao seu corpo (atravessando suas ancas), aos seus olhos castanhos, ao seu cabelo, ao seu jeito menino e súbito de ser, escreve uma só palavra em mim: sonho.
Sou, neste momento simples e bonita, uma sonhadora: acredito que a felicidade realmente existe, acredito que o mundo tem salvação.Compraríamos uma casa na praia e viveríamos fora do mundo: realizados, de sonhos e de vida.
Entro no quarto e vejo você se arrumar: flagro cada gesto, sinto seu perfume,com um sopro, passa em si: meu olhar de águia visita cada pequeno movimento seu e eternizo você em fotografias na minha memória analógica: sei cada marca da sua pele, reconheço a identidade de cada pelo das tuas coxas, conheço cada poro do seu corpo: despidos de segredos e amarras, somos siameses: seu coração é o meu, assim como cada parte minúscula do meu interior é, também, do seu: vivemos uma relação mútua de presença, caminhamos pelas mesmas veredas: um amor só pra gente, feito para ser nossa companhia.
Você me ganha como se eu fosse o jogo mais fácil do mundo. Sou sua: há várias viaturas de você envolta da casa onde estou e, de mãos para cima, me rendo e me entrego com a felicidade de uma menina que precisa, veja só, da sua companhia: não é necessário disfarçar o que eu sinto com algo que eu não sinto: posso ser eu, embora não possa ser muita coisa: te faço sorrir e sou, ali, o bastante de mim.
Você é lindo, a vida é difícil, mas esqueço, nesta cena, de tudo isto: apenas te vejo, apenas te vejo, apenas te vejo; descubro que, talvez, eu te ame: é cedo demais, me dizem todas as pessoas, inclusive você: claro que é cedo demais: te amei de manhã, não é?!
Rimos. Você me acha uma boba. Eu me acho uma boba. Sou seu espelho e, a cada riso teu, há, refletido em mim, um riso meu. Ali, vendo você sorrir, só consigo me perguntar uma única coisa.
Será que há, na vida, algo melhor do que ser boba com você?
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Fundo do baú
Frases feitas
Versos feitos
Recados do coração feitos
Decore-os
Insira-os
e os declare
Deseje apenas acreditar
que tudo é verdade
Pois você vai cansar
de decorar os mesmos versos
de angústia
e uma vontade de abandonar,
abrir mão,
de (tu)do.
*Achei perdido nos arquivos do mês de abril de 2012 e resolvi postar. Vi que o ano passou na velocidade da luz e no fim das contas, tomei vergonha na cara, larguei mão e fui ser feliz.
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