domingo, 25 de maio de 2014

porque imaginar não custa nada

Postado por Marcella às 18:22 0 comentários
Quero sentir o toque.
Toque esse que vem da ponta macia dos teus dedos,
encostando
e escorregando pelo descida que segue as minhas ancas.
Quero que tua língua percorra o caminho
da minha lombar,
bem de-va-gar.
Quero teu cabelo roce a minha nuca.
quero que sussurre absurdos nos meus ouvidos,
absurdos que soem baixos,
mas que sejam claros.
E nesse mesmo tempo,
morro derretida
quando você retira
o cabelo que fica no meu rosto,
e de alguma maneira,
o prende e torce,
até que ele toma forma
dentro da tua mão firme.
Quero que minha respiração
se confunda com a tua,
e que nossos corpos,
apreendidos pela gravidade
se juntem
se acariciem
se percam
e permaneçam
ali,
molhados
em repouso.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Faz assim

Postado por Marcella às 17:11 0 comentários
Tira a minha roupa
com a tua boca
que eu fico louca.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Com amor, perdão e saudade

Postado por Marcella às 21:10 0 comentários
Das coisas que sonhei, tive ou quis
Nada foi tão (in)útil quanto te convencer
Que eu era a salvação dos teus dias, enfim.

Dos nãos, sins e talvez
Nada foi tão dolorido e inesperado
Quanto a dor que me provocaste

Dos sumiços, aparições e dúvidas
Nada foi tão intragável e sofrível
Quanto a tua negação de culpa

Das partidas, chegadas e adeuses
Nada é tão insuportável e temível
Quanto a tua ausência permanente.
Meus pêsames.



sexta-feira, 18 de abril de 2014

Sol isso

Postado por Marcella às 22:16 0 comentários
É sempre igual. Você pinta na área e eu fico assim... corada. Se no meu corpo encosta, suando já estou e quando me olha nos olhos, pronto, sem esforço os faz minguar. Esforço faço eu em tentar reabrí-los e novamente te encarar. E você me diz com o olhar: tola. É assim nossa relação: você me queima e sabe disso. Certas horas pesa sobre mim e exige minha mais profunda paciência. Exige algo que por vezes me falta. Faz evaporar minha vida, literalmente. Faz com gosto e faz bem feito. E todo dia eu te olho e fico boba, sem saber como te alcançar sem antes morrer e chegar a pó. E não há problema algum em morrer. Problema há em morrer sem em ti encostar. Não é justo em mim só você chegar. O amor não é assim. O amor é troca.


É sempre igual, todo dia. Todo dia, por horas você vai dar uma volta e quando reaparece, finge ver-me pela primeira vez, todo indiferente, cheio de si como se não nos conhecêssemos da eterna véspera. Não tenho aptidão para esse tratamento não, meu bem! Agora me diz: qual é a tua? Só me fornecer a vida? E eu fico aqui te olhando todos os dias? Diga. Diga! Não fique me olhando como se eu passasse por distúrbios por você causados, não!


É sempre igual, todo dia, várias horas. Eu fico sob sua visão esperando o momento em que vamos nos fitar e nos entender somente por isso mesmo. E neste momento você vai deixar de ser o astro e eu de ser corpo. Seremos uma troca, sol isso.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

de novo, do novo.

Postado por Marcella às 15:39 0 comentários
Nada mais chato que ter o coração vazio. Não é novidade. Gosto de ocupar espaço, mas, mais ainda, quando ocupam espaço em mim. Na ausência de um amor, a vida perde (parcial e essencialmente) o sentido. Sabe  aquela coisa gostosa de chegadas e partidas, da espera para um novo encontro, o abraço, um beijo que sele o compromisso com os olhos gritando de felicidade. E das vontades que cessam na cama. Sinto falta de alguém cuja simplicidade seja a mesma da minha. Da companhia com os pés descalços na areia, do suspiro que se mistura com o meu. Eu gosto mesmo é de desvelar um coração, a terra desconhecida de outrem. E, ao mesmo tempo, existe o equilíbrio para deixar tudo se completar naturalmente, sem que nada seja forçado para acontecer. Permitir que os olhos vejam pequenos detalhes lentamente e os braços se acheguem devagar, sabendo que ser livre é tão importante quanto saber amar. As pessoas precisam de tempo, dessa espera e, sobretudo, do reencontro. Tenho nutrido urgência de desejos, daquela boca, do braço tatuado e de um único nome. É… 
Hoje, eu já não sinto falta de sentir saudade. Eu sou saudade.

sábado, 22 de março de 2014

Desfalar

Postado por Marcella às 14:18 0 comentários
tua língua em silêncio
faz coisas que não dizes
assim como as velhas atrizes
sobre histórias de bastidores

tua língua é a tua segunda genitália
por onde paris palavras
ofensas
gemidos
e mais uma vez
crias vida
de um modo incompreensível
e joga na cara do meu espanto
sem dizer nada com nada
somente a língua desejada

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Caindo fora

Postado por Marcella às 22:01 0 comentários
eu quero é liberdade!
quero me ver livre dessa gente rasa
dessa gente sem fervor
dessa gente que permite ser assim tão mal acabada

de querer ser somente água sobre os tornozelos
de querer ter as mãos ao alcance da minha intimidade
e fazer dela confete quando ainda nem é carnaval.

fica decretado:

distância!
dessa gente que permite
ser somente
assim:
tão só.
 

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