Só deixe as nossas pernas se confundirem…
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
nosso corpo é testemunha
Senta comigo na varanda e te entrega como uma carta sem endereço. Descarta os pensamentos inóspitos, sente o vento na nuca e minha mão nas suas coxas macias e arrepiadas e me olha como quem faz meu mapa.Tira a minha roupa e me devora. Me joga na parede, no chão, dentro de ti e esquece o que sabes, me guia, deixa eu te guiar, com aquele tão sábio, instinto de amar.Deixa eu te morder como quem chupa. E chupar como quem beija.Valseia em cima de mim e sorri no meio do beijo, deixa eu achar que é só pra mim. Vive comigo a intensidade de um momento que pede tapas em forma de carinho e beijos em forma de agressão manhosa. Mantém o beijo prensado, segura meu braço de forma trêmula e deixa o vento acariciar as nossas nucas. Viva esse amor repentino como se a gente nem precisasse se perder na rotina de novo. Como se a gente nem precisasse ter medo dos ineditismos do mundo. Como se a gente nem precisasse da esperança de um amanhã. Adoro te olhar intrínseco a mim, de cabelo bagunçado e lábios presos, mendigando cafuné. Não disfarça. Eu também gosto, meu corpo é testemunha. Repousa a meu lado e me beija manso. Mas não com intuito somente de beijar, mas de silenciar bocas e almas que ofegam entre olhares tão suaves e risonhos como os nossos.
Só deixe as nossas pernas se confundirem…
Só deixe as nossas pernas se confundirem…
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Isso não é um texto sobre amor
Estava pensando em não vir. No fundo, estou pensando nisso até agora. Mas fico aqui, com cara de taxo, olhando as suas coisas bagunçadas, os meus neurônios bagunçados, o meu coração bagunçado, o meu vestido bagunçado e tudo que estava quase arrumado em mim se confunde num segundo quando ele se aproxima como quem já aceitou casar comigo, mas não disse “sim”. Apenas me mira com sorriso de bobo me revirando ainda mais. Uma grata desgraça.
Eu não queria vir. Na verdade, eu queria. Eu não queria era vir aqui, me apaixonar mais ainda e ter que ir embora sozinha. Porque sempre que venho, ele entra em mim, mas não mora. Ele me abraça, mas não me prende. Ele é meu par, mas não meu companheiro. Ele se deita, mas não fica. E eu continuo aqui sozinha mesmo sendo dois. Solidão besta. Não é fácil gostar dele. Já quis o matar tantas vezes. Mas ainda não morri.
Mas daqui a pouco, depois de gozar em mim como se eu tivesse pedindo aquilo como um prêmio ou coisa assim, ele vai se virar para o lado, vai checar o celular umas quinhentas vezes e, logo, logo, ele arrumará algo pra fazer e ir embora. Eu conheço o seu jogo. Vai dizer que precisa viajar, estudar, reencontrar um amigo ou visitar fulana na faculdade, sei lá. Só sei que ele vai. E eu queria estar aqui quando ele voltasse. Eu queria que eu fosse o motivo para ele voltar.
Juro que vou embora antes mesmo dele entrar no banho. Mas ele sem camisa parece um canto sagrado. Ele me pede faz-um-lanche? e eu já proponho banquete nupcial. Ele me pede umas horas no dia e eu já quero ''décadas'' juntos. Ele me pede um tiquinho de qualquer coisa e eu já venho com temporadas completas. Deve ser isso. Meu erro é mergulhar de cabeça, enquanto ele ainda molha os tornozelos. Quero saltar do avião e ele deseja apenas uma companhia para quando estiver nas nuvens. “Eu quero meter”, ele diz. “Eu quero te ter”, penso.
Nunca foi amor, mas insiste tanto em ser.
Eu não queria vir. Na verdade, eu queria. Eu não queria era vir aqui, me apaixonar mais ainda e ter que ir embora sozinha. Porque sempre que venho, ele entra em mim, mas não mora. Ele me abraça, mas não me prende. Ele é meu par, mas não meu companheiro. Ele se deita, mas não fica. E eu continuo aqui sozinha mesmo sendo dois. Solidão besta. Não é fácil gostar dele. Já quis o matar tantas vezes. Mas ainda não morri.
Mas daqui a pouco, depois de gozar em mim como se eu tivesse pedindo aquilo como um prêmio ou coisa assim, ele vai se virar para o lado, vai checar o celular umas quinhentas vezes e, logo, logo, ele arrumará algo pra fazer e ir embora. Eu conheço o seu jogo. Vai dizer que precisa viajar, estudar, reencontrar um amigo ou visitar fulana na faculdade, sei lá. Só sei que ele vai. E eu queria estar aqui quando ele voltasse. Eu queria que eu fosse o motivo para ele voltar.
Juro que vou embora antes mesmo dele entrar no banho. Mas ele sem camisa parece um canto sagrado. Ele me pede faz-um-lanche? e eu já proponho banquete nupcial. Ele me pede umas horas no dia e eu já quero ''décadas'' juntos. Ele me pede um tiquinho de qualquer coisa e eu já venho com temporadas completas. Deve ser isso. Meu erro é mergulhar de cabeça, enquanto ele ainda molha os tornozelos. Quero saltar do avião e ele deseja apenas uma companhia para quando estiver nas nuvens. “Eu quero meter”, ele diz. “Eu quero te ter”, penso.
Nunca foi amor, mas insiste tanto em ser.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Vinho
Queria te armazenar em carvalho
pra que você tivesse sempre esse gostinho
amadeirado que sinto no final da língua.
Tomaria você a noite inteira, intercalando com pequenos copos d´água.
pra que você tivesse sempre esse gostinho
amadeirado que sinto no final da língua.
Tomaria você a noite inteira, intercalando com pequenos copos d´água.
As vezes nem preciso te provar, basta sentir seu cheiro e já estou satisfeita.
Você é ácido o suficiente para potencializar o sabor.
Você é de época, confesso. Como tudo que é bom.
Gostamos de estar na mesma temperatura.
Amena.
Eu nasci pra te provar.
Levemente.
Pra durar bastante.
O tempo suficiente pra garrafa encher de novo.
Mesmo que já envelhecida.
Você é ácido o suficiente para potencializar o sabor.
Você é de época, confesso. Como tudo que é bom.
Gostamos de estar na mesma temperatura.
Amena.
Eu nasci pra te provar.
Levemente.
Pra durar bastante.
O tempo suficiente pra garrafa encher de novo.
Mesmo que já envelhecida.
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