Quero sentir o toque.
Toque esse que vem da ponta macia dos teus dedos,
encostando
e escorregando pelo descida que segue as minhas ancas.
Quero que tua língua percorra o caminho
da minha lombar,
bem de-va-gar.
Quero teu cabelo roce a minha nuca.
quero que sussurre absurdos nos meus ouvidos,
absurdos que soem baixos,
mas que sejam claros.
E nesse mesmo tempo,
morro derretida
quando você retira
o cabelo que fica no meu rosto,
e de alguma maneira,
o prende e torce,
até que ele toma forma
dentro da tua mão firme.
Quero que minha respiração
se confunda com a tua,
e que nossos corpos,
apreendidos pela gravidade
se juntem
se acariciem
se percam
e permaneçam
ali,
molhados
em repouso.
domingo, 25 de maio de 2014
quinta-feira, 1 de maio de 2014
segunda-feira, 21 de abril de 2014
Com amor, perdão e saudade
Das coisas que sonhei, tive ou quis
Nada foi tão (in)útil quanto te convencer
Que eu era a salvação dos teus dias, enfim.
Dos nãos, sins e talvez
Nada foi tão dolorido e inesperado
Quanto a dor que me provocaste
Dos sumiços, aparições e dúvidas
Nada foi tão intragável e sofrível
Quanto a tua negação de culpa
Das partidas, chegadas e adeuses
Nada é tão insuportável e temível
Quanto a tua ausência permanente.
Meus pêsames.
Nada foi tão (in)útil quanto te convencer
Que eu era a salvação dos teus dias, enfim.
Dos nãos, sins e talvez
Nada foi tão dolorido e inesperado
Quanto a dor que me provocaste
Dos sumiços, aparições e dúvidas
Nada foi tão intragável e sofrível
Quanto a tua negação de culpa
Das partidas, chegadas e adeuses
Nada é tão insuportável e temível
Quanto a tua ausência permanente.
Meus pêsames.
sexta-feira, 18 de abril de 2014
Sol isso
É sempre igual. Você pinta na área e eu fico assim... corada. Se no meu corpo encosta, suando já estou e quando me olha nos olhos, pronto, sem esforço os faz minguar. Esforço faço eu em tentar reabrí-los e novamente te encarar. E você me diz com o olhar: tola. É assim nossa relação: você me queima e sabe disso. Certas horas pesa sobre mim e exige minha mais profunda paciência. Exige algo que por vezes me falta. Faz evaporar minha vida, literalmente. Faz com gosto e faz bem feito. E todo dia eu te olho e fico boba, sem saber como te alcançar sem antes morrer e chegar a pó. E não há problema algum em morrer. Problema há em morrer sem em ti encostar. Não é justo em mim só você chegar. O amor não é assim. O amor é troca.
É sempre igual, todo dia. Todo dia, por horas você vai dar uma volta e quando reaparece, finge ver-me pela primeira vez, todo indiferente, cheio de si como se não nos conhecêssemos da eterna véspera. Não tenho aptidão para esse tratamento não, meu bem! Agora me diz: qual é a tua? Só me fornecer a vida? E eu fico aqui te olhando todos os dias? Diga. Diga! Não fique me olhando como se eu passasse por distúrbios por você causados, não!
É sempre igual, todo dia, várias horas. Eu fico sob sua visão esperando o momento em que vamos nos fitar e nos entender somente por isso mesmo. E neste momento você vai deixar de ser o astro e eu de ser corpo. Seremos uma troca, sol isso.
É sempre igual, todo dia. Todo dia, por horas você vai dar uma volta e quando reaparece, finge ver-me pela primeira vez, todo indiferente, cheio de si como se não nos conhecêssemos da eterna véspera. Não tenho aptidão para esse tratamento não, meu bem! Agora me diz: qual é a tua? Só me fornecer a vida? E eu fico aqui te olhando todos os dias? Diga. Diga! Não fique me olhando como se eu passasse por distúrbios por você causados, não!
É sempre igual, todo dia, várias horas. Eu fico sob sua visão esperando o momento em que vamos nos fitar e nos entender somente por isso mesmo. E neste momento você vai deixar de ser o astro e eu de ser corpo. Seremos uma troca, sol isso.
quarta-feira, 2 de abril de 2014
de novo, do novo.
Nada mais chato que ter o coração vazio. Não é novidade. Gosto de ocupar espaço, mas, mais ainda, quando ocupam espaço em mim. Na ausência de um amor, a vida perde (parcial e essencialmente) o sentido. Sabe aquela coisa gostosa de chegadas e partidas, da espera para um novo encontro, o abraço, um beijo que sele o compromisso com os olhos gritando de felicidade. E das vontades que cessam na cama. Sinto falta de alguém cuja simplicidade seja a mesma da minha. Da companhia com os pés descalços na areia, do suspiro que se mistura com o meu. Eu gosto mesmo é de desvelar um coração, a terra desconhecida de outrem. E, ao mesmo tempo, existe o equilíbrio para deixar tudo se completar naturalmente, sem que nada seja forçado para acontecer. Permitir que os olhos vejam pequenos detalhes lentamente e os braços se acheguem devagar, sabendo que ser livre é tão importante quanto saber amar. As pessoas precisam de tempo, dessa espera e, sobretudo, do reencontro. Tenho nutrido urgência de desejos, daquela boca, do braço tatuado e de um único nome. É…
Hoje, eu já não sinto falta de sentir saudade. Eu sou saudade.
sábado, 22 de março de 2014
Desfalar
tua língua em silêncio
faz coisas que não dizes
assim como as velhas atrizes
sobre histórias de bastidores
tua língua é a tua segunda genitália
por onde paris palavras
ofensas
gemidos
e mais uma vez
crias vida
de um modo incompreensível
e joga na cara do meu espanto
sem dizer nada com nada
somente a língua desejada
faz coisas que não dizes
assim como as velhas atrizes
sobre histórias de bastidores
tua língua é a tua segunda genitália
por onde paris palavras
ofensas
gemidos
e mais uma vez
crias vida
de um modo incompreensível
e joga na cara do meu espanto
sem dizer nada com nada
somente a língua desejada
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Caindo fora
eu quero é liberdade!
quero me ver livre dessa gente rasa
dessa gente sem fervor
dessa gente que permite ser assim tão mal acabada
de querer ser somente água sobre os tornozelos
de querer ter as mãos ao alcance da minha intimidade
e fazer dela confete quando ainda nem é carnaval.
fica decretado:
distância!
dessa gente que permite
ser somente
assim:
tão só.
quero me ver livre dessa gente rasa
dessa gente sem fervor
dessa gente que permite ser assim tão mal acabada
de querer ser somente água sobre os tornozelos
de querer ter as mãos ao alcance da minha intimidade
e fazer dela confete quando ainda nem é carnaval.
fica decretado:
distância!
dessa gente que permite
ser somente
assim:
tão só.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Mapa astral
Virgem,
(Maria!)
Temos peixes
na lua.
Mas o sol,
(preste atenção!)
foi parar
reluzente
na juba
do leão.
- Será que é defeito deixar tudo estampado, assim, ser tão livro aberto?
- Não sei... Mas que se dane, né? Sempre existirão momentos de necessidade. Necessidade de se expressar, necessidade de silenciar, e olha... vou até dizer que o silêncio sabe falar por si..
- Não sei... Mas que se dane, né? Sempre existirão momentos de necessidade. Necessidade de se expressar, necessidade de silenciar, e olha... vou até dizer que o silêncio sabe falar por si..
amor platônico
Ele tem olhos castanhos de tirar qualquer fôlego
e deve ter mil mulheres ao redor do mundo.
Ele tem rima, ritmo e métrica.
Tem o encanto das palavras que faz morada em suas cordas vocais.
e deve ter mil mulheres ao redor do mundo.
Ele tem rima, ritmo e métrica.
Tem o encanto das palavras que faz morada em suas cordas vocais.
No meu devaneio ele quem ousava me arrancar o primeiro beijo.
E ele tinha um cheiro bom,
o gosto então, imaginei eu:
ai ai.
Eu provo que ele TEM um sorriso
o gosto então, imaginei eu:
ai ai.
Eu provo que ele TEM um sorriso
que castiga com o meu coração.
Imagino
que ele vai chegar atrasado,
desfilando com sandálias de couro,
com uma camisa amarela,
com uma camisa amarela,
lúcido
e com os lábios pulsando...
Vai se pendurar em minha gola
e se debruçar na minha janela...
Confesso
que tem sido
um teste de esforço
Confesso
que tem sido
um teste de esforço
pr'eu fazer essa loucura de me declarar
porque ele me faz querer declamar
os poemas mais lindos que estou pra escrever.
sete da manhã
se tremendo de vontades
meu sonho te engoliu como comprimido
e o meu ouvido
fez que não viu
seu gemido tão sonoro e apaixonante
hoje e ontem
tudo nosso
amanhã
vai ser mais um outro lindo dia
de amar tudo que se vê pela frente
que bonita essa mania feia da gente
de ser cabelo na sopa
de ser mosca sapateando no tímpano
de ser placa indicando o pântano
de ser o ultimo segundo do ano
de ser feriado
declarado por medo
vamos amar tudo
tudo tudo mesmo
até os idiotas que odiamos
vamos
meu sonho te engoliu como comprimido
e o meu ouvido
fez que não viu
seu gemido tão sonoro e apaixonante
hoje e ontem
tudo nosso
amanhã
vai ser mais um outro lindo dia
de amar tudo que se vê pela frente
que bonita essa mania feia da gente
de ser cabelo na sopa
de ser mosca sapateando no tímpano
de ser placa indicando o pântano
de ser o ultimo segundo do ano
de ser feriado
declarado por medo
vamos amar tudo
tudo tudo mesmo
até os idiotas que odiamos
vamos
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Projeção
- Como ele é?
- Nossa , conheci ontem. Lindo, olhos castanhos. Meio de gato, sabe? Um sorriso lindo, com lábios gentis. Ele tem um cheiro bom.
Um cheiro agradável. Tô achando que é o cheiro da pele dele mesmo.
A pele parece ter uma textura gostosa também. Aquelas que sempre rolam química. Ele é muito inteligente. Tem um bom gosto. Adora os filmes que eu adoro. Vai sempre no mesmo bar que eu costumava ir.
Disse até que já tinha me visto algumas vezes. Beija muito bem. Nossa. Que beijo. Adora sair pra conversar. Adora praia. Não sei se adora dançar.Adora sexo. Em qualquer horário.
E o melhor, adora vinho.
- É sério tudo isso?
- Não, mas deixa eu continuar que tá bom. Ele é até mais alto que eu. . .
- Nossa , conheci ontem. Lindo, olhos castanhos. Meio de gato, sabe? Um sorriso lindo, com lábios gentis. Ele tem um cheiro bom.
Um cheiro agradável. Tô achando que é o cheiro da pele dele mesmo.
A pele parece ter uma textura gostosa também. Aquelas que sempre rolam química. Ele é muito inteligente. Tem um bom gosto. Adora os filmes que eu adoro. Vai sempre no mesmo bar que eu costumava ir.
Disse até que já tinha me visto algumas vezes. Beija muito bem. Nossa. Que beijo. Adora sair pra conversar. Adora praia. Não sei se adora dançar.Adora sexo. Em qualquer horário.
E o melhor, adora vinho.
- É sério tudo isso?
- Não, mas deixa eu continuar que tá bom. Ele é até mais alto que eu. . .
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
nosso corpo é testemunha
Senta comigo na varanda e te entrega como uma carta sem endereço. Descarta os pensamentos inóspitos, sente o vento na nuca e minha mão nas suas coxas macias e arrepiadas e me olha como quem faz meu mapa.Tira a minha roupa e me devora. Me joga na parede, no chão, dentro de ti e esquece o que sabes, me guia, deixa eu te guiar, com aquele tão sábio, instinto de amar.Deixa eu te morder como quem chupa. E chupar como quem beija.Valseia em cima de mim e sorri no meio do beijo, deixa eu achar que é só pra mim. Vive comigo a intensidade de um momento que pede tapas em forma de carinho e beijos em forma de agressão manhosa. Mantém o beijo prensado, segura meu braço de forma trêmula e deixa o vento acariciar as nossas nucas. Viva esse amor repentino como se a gente nem precisasse se perder na rotina de novo. Como se a gente nem precisasse ter medo dos ineditismos do mundo. Como se a gente nem precisasse da esperança de um amanhã. Adoro te olhar intrínseco a mim, de cabelo bagunçado e lábios presos, mendigando cafuné. Não disfarça. Eu também gosto, meu corpo é testemunha. Repousa a meu lado e me beija manso. Mas não com intuito somente de beijar, mas de silenciar bocas e almas que ofegam entre olhares tão suaves e risonhos como os nossos.
Só deixe as nossas pernas se confundirem…
Só deixe as nossas pernas se confundirem…
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Isso não é um texto sobre amor
Estava pensando em não vir. No fundo, estou pensando nisso até agora. Mas fico aqui, com cara de taxo, olhando as suas coisas bagunçadas, os meus neurônios bagunçados, o meu coração bagunçado, o meu vestido bagunçado e tudo que estava quase arrumado em mim se confunde num segundo quando ele se aproxima como quem já aceitou casar comigo, mas não disse “sim”. Apenas me mira com sorriso de bobo me revirando ainda mais. Uma grata desgraça.
Eu não queria vir. Na verdade, eu queria. Eu não queria era vir aqui, me apaixonar mais ainda e ter que ir embora sozinha. Porque sempre que venho, ele entra em mim, mas não mora. Ele me abraça, mas não me prende. Ele é meu par, mas não meu companheiro. Ele se deita, mas não fica. E eu continuo aqui sozinha mesmo sendo dois. Solidão besta. Não é fácil gostar dele. Já quis o matar tantas vezes. Mas ainda não morri.
Mas daqui a pouco, depois de gozar em mim como se eu tivesse pedindo aquilo como um prêmio ou coisa assim, ele vai se virar para o lado, vai checar o celular umas quinhentas vezes e, logo, logo, ele arrumará algo pra fazer e ir embora. Eu conheço o seu jogo. Vai dizer que precisa viajar, estudar, reencontrar um amigo ou visitar fulana na faculdade, sei lá. Só sei que ele vai. E eu queria estar aqui quando ele voltasse. Eu queria que eu fosse o motivo para ele voltar.
Juro que vou embora antes mesmo dele entrar no banho. Mas ele sem camisa parece um canto sagrado. Ele me pede faz-um-lanche? e eu já proponho banquete nupcial. Ele me pede umas horas no dia e eu já quero ''décadas'' juntos. Ele me pede um tiquinho de qualquer coisa e eu já venho com temporadas completas. Deve ser isso. Meu erro é mergulhar de cabeça, enquanto ele ainda molha os tornozelos. Quero saltar do avião e ele deseja apenas uma companhia para quando estiver nas nuvens. “Eu quero meter”, ele diz. “Eu quero te ter”, penso.
Nunca foi amor, mas insiste tanto em ser.
Eu não queria vir. Na verdade, eu queria. Eu não queria era vir aqui, me apaixonar mais ainda e ter que ir embora sozinha. Porque sempre que venho, ele entra em mim, mas não mora. Ele me abraça, mas não me prende. Ele é meu par, mas não meu companheiro. Ele se deita, mas não fica. E eu continuo aqui sozinha mesmo sendo dois. Solidão besta. Não é fácil gostar dele. Já quis o matar tantas vezes. Mas ainda não morri.
Mas daqui a pouco, depois de gozar em mim como se eu tivesse pedindo aquilo como um prêmio ou coisa assim, ele vai se virar para o lado, vai checar o celular umas quinhentas vezes e, logo, logo, ele arrumará algo pra fazer e ir embora. Eu conheço o seu jogo. Vai dizer que precisa viajar, estudar, reencontrar um amigo ou visitar fulana na faculdade, sei lá. Só sei que ele vai. E eu queria estar aqui quando ele voltasse. Eu queria que eu fosse o motivo para ele voltar.
Juro que vou embora antes mesmo dele entrar no banho. Mas ele sem camisa parece um canto sagrado. Ele me pede faz-um-lanche? e eu já proponho banquete nupcial. Ele me pede umas horas no dia e eu já quero ''décadas'' juntos. Ele me pede um tiquinho de qualquer coisa e eu já venho com temporadas completas. Deve ser isso. Meu erro é mergulhar de cabeça, enquanto ele ainda molha os tornozelos. Quero saltar do avião e ele deseja apenas uma companhia para quando estiver nas nuvens. “Eu quero meter”, ele diz. “Eu quero te ter”, penso.
Nunca foi amor, mas insiste tanto em ser.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
Vinho
Queria te armazenar em carvalho
pra que você tivesse sempre esse gostinho
amadeirado que sinto no final da língua.
Tomaria você a noite inteira, intercalando com pequenos copos d´água.
pra que você tivesse sempre esse gostinho
amadeirado que sinto no final da língua.
Tomaria você a noite inteira, intercalando com pequenos copos d´água.
As vezes nem preciso te provar, basta sentir seu cheiro e já estou satisfeita.
Você é ácido o suficiente para potencializar o sabor.
Você é de época, confesso. Como tudo que é bom.
Gostamos de estar na mesma temperatura.
Amena.
Eu nasci pra te provar.
Levemente.
Pra durar bastante.
O tempo suficiente pra garrafa encher de novo.
Mesmo que já envelhecida.
Você é ácido o suficiente para potencializar o sabor.
Você é de época, confesso. Como tudo que é bom.
Gostamos de estar na mesma temperatura.
Amena.
Eu nasci pra te provar.
Levemente.
Pra durar bastante.
O tempo suficiente pra garrafa encher de novo.
Mesmo que já envelhecida.
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