sábado, 30 de março de 2013

Já dizia...

Postado por Marcella às 16:32 0 comentários
Um dos meus poetas preferidos: "O abandono me protege!"

terça-feira, 19 de março de 2013

Postado por Marcella às 16:28 0 comentários
A gente escreve junto o que quiser.

em certos momentos, eu só deveria dizer que...

Postado por Marcella às 15:15 0 comentários
"Eu não tenho nada para oferecer a ninguém, exceto minha própria confusão"
(Jack Kerouac)

segunda-feira, 18 de março de 2013

Tinha de ser

Postado por Marcella às 21:24 0 comentários
Sabe, ele me lembra um caso antigo que eu nunca tive. Um sapato velho que eu jamais calcei, mas que me serve bem. Um jeans 38 que fica ótimo quando visto. Um sorriso que cabe magicamente no meu rosto. Um abraço de encaixe perfeito… Quem era ele antes d’eu conhecer? (apesar de parecer que eu sempre o conheci, só precisava achar). Não importa. As outras tantas que passaram por ele também não importam. O que realmente me convém e, de fato, é agradável, é essa coisa de encontrar nele uma novidade a cada novo dia – isso faz com que eu descarte minha mania de abusar rápido das pessoas. Ele veio, foi ficando, querendo ficar… Pronto. Agora sou eu que não o deixo mais ir embora.

brilho eterno de um mente sem lembranças

Postado por Marcella às 21:15 0 comentários

quinta-feira, 14 de março de 2013

Partida narrada por ele

Postado por Marcella às 19:56 0 comentários
Minha princesa embarcou.

Olho para o ônibus - bruto, máquina, inanimado – e, num gesto desesperado e inútil, espero que ele me olhe também: quero um pouco de compaixão: espero um pouco de pena: peço, em dor, que ele quebre: e ela desça: e ela venha: e ela fique: e ela eu.

Nada acontece. O motor do ônibus continua sadio e sei, ali, preso na liberdade de poder ir, que, a qualquer momento, ele vai partir: e ela, inerciana, livre na prisão de poder ir, vai também: ela vai, eu vou: mas nós não vamos: nós nos vamos. E choro.

Não a vejo mais, eu sei. Seus olhos de rio já não estão por mim. Seu riso, se muito, só pode ser escutado por qualquer desespero auditivo que eu tenha. Sua voz se perdeu no murmúrio do mundo. Seu beijo - preso em sua boca, refém de seus lábios, morador da sua face - é uma lembrança viva (só os vivos podem matar, meu avô dizia e agora entendo). Sua presença no mundo está abafada por um choro de criança: menina, negra: que segura, com força e doçura, na mão do pai; olho pra esta menina e vejo, em seu choro, o meu choro: somos, neste espelho de lágrimas, dois esperançosos, dois desesperados, dois sós: ela , criança, sozinha com ele aqui; eu, adulto, sozinho com ela lá.

Ela embarcou.

Cadeira 25.

Janela.

Bomfim.

Não a vejo mais, mas vejo o ônibus onde ela entrou: sei sua estrutura física, sei seu número de poltronas, conheço seu interior: estou próximo dela pela consciência de saber como um ônibus é: meus olhos repousam no mesmo lugar que os dela: posso, em mente, ir até onde ela está sentada: escutamos o mesmo motor: olhamos através da mesma janela: estamos próximos demais para estarmos distantes e distantes demais para estarmos próximo.

Ela não está ali.

Mas ela está lá.

E lá está ali.

Ao meu lado, um rapaz tenta passar a catraca. Ele não tem taxa de embarque. O ônibus está prestes a sair. O segurança diz que não pode fazer nada. O cobrador diz que não pode fazer nada. O ônibus está prestes a sair. O rapaz, desesperado, mostra a passagem, precisa viajar. O segurança não pode fazer nada. O cobrador não pode fazer nada. O rapaz, desesperado, oferece a taxa de embarque em forma de dinheiro. O cobrador aceita, mas só se o dinheiro estiver trocado: e não está. Puxo da minha carteira 4 reais e dou para o cobrador. O rapaz me olha: ele não me conhece, não sabe quem eu sou e sequer imagina por que estou chorando, mas me agradece e vejo, em seus olhos, um brilho: talvez felicidade, talvez alívio, talvez esperança. O rapaz sobe no ônibus. Sorridente, vai viajar, vai reencontrar a namorada, a mãe, qualquer coisa assim, e acena, mais uma vez, pra mim.

Tornar o mundo um pouco melhor para ela.
O ônibus começa a andar, entra no ponto cego da minha vida e some no meu campo de coração.

Caminho para casa e encontro um homem que me pede água. Está com sede. Não tem dinheiro. Pego a garrafa de água mineral que acabei de comprar e dou para ele beber. Vejo, em seu rosto, um vestígio de sanidade, de amor, de família. Parece querer sorrir para mim. Tenho vontade de abraçá-lo, mas, por um vestígio de sanidade, não o faço. Ele se vai. Ele tem água. Ele não tem mais sede. Ele sorriu.

Tornar o mundo um pouco melhor para ela.

Antes de entrar no táxi, vejo um flanelinha tomando chuva. Pergunto onde ele mora e como vai embora. Peço para ele entrar no táxi e vou deixá-lo em casa. Ele desce do carro, toca em minha mão e me diz que é a primeira vez que alguém faz isto com ele. Sorrio ao que ele completa: faz tempo que não me sinto gente.

Tornar o mundo um pouco melhor para ela.

Chego em casa. Entro no quarto. Olho pra cama. Estou triste: posso ver, refletido em minhas cobertas e travesseiros, meus olhos tristes: sinto falta da presença, do sentar, do caminhar, do respirar, do brincar: sinto falta do modo como ela me olha, como ela me toca, como ela me ri.

Ela é uma menina: seus olhos me enobrecem: é como se eu me tornasse mais importante a cada olhar dela que repousa em mim.

Sua inocência, travestida de medo, me sugere doçura, me busca carinho, me adivinha verdade: estou acalentado por poder ser eu mesmo ao lado dela: menino, choro, bobagem.

Seu jeito de se esconder em si precipita abismos em mim: encosto a cabeça na vida, conto até cem e vou encontrá-la mais uma vez: seja lá onde estiver.

Seu carinho, tão doce e calmo, me brisa: viro uma pequena folha a se despreender da árvore: plano em seu toque, em suas mãos, em suas unhas: repouso na cadência da sua respiração: acabo outonando uma primavera.

Volto, então, ao rapaz sem taxa de embarque, ao homem com sede, ao flanelinha e ao poema de Álvaro de Campos que me diz: “todas as cartas de amor são ridículas.”

Releio o que escrevi. Ridículo.

Releio o que escrevi. Amor.

Te coloco em minha cacunda, desço as escadas, sorrimos. Atravessamos o trânsito correndo, pois só tem graça correndo. Brincamos, feito duas crianças, de morder um ao outro. Saímos para almoçar pizza como se fosse a coisa mais normal. Tomamos cada colher de açaí com uma lata de leite condensado. Brincamos e, vez em quando, brigamos de ciúmes. Cuidamos um do outro com calma, carinho e dengo. Rimos de qualquer bobagem sem receio do olhar cético das pessoas. Aprontamos as nossas com medo, sem medo, de sermos escutados. Coloco você em meus braços: minha menina, minha pequena, minha princesa.

Eu quero ser ridículo para sempre ao seu lado.

quarta-feira, 13 de março de 2013

um sambinha

Postado por Marcella às 22:55 0 comentários



Se você for, por favor, me leva,
e se eu não for, me carrega...

sexta-feira, 8 de março de 2013

Sem qualquer semelhança

Postado por Marcella às 21:18 0 comentários

Está comprovado na minha percepção que não há só uma forma, uma ordem exata de se construir um viver, uma vida; pelo contrário, existem várias. Digo que não são todas as pessoas que vão entender/concordar com o que penso e ainda mais eu, que sou uma garota que nem chegou na casa dos vinte, mas em minhas ideias isso me parece uma via diferente de enxergar a vida.
A gente passa mais de anos na escola, passando pelo ensino infantil, fundamental e o médio. Em seguida, vem o ''pesadelo'' do vestibular. Nele depositamos futuras esperanças do que seremos e do que faremos na vida. Escolheremos uma carreira por afinidade, paixão e esperaremos ganhar um bom salário e que realize os nossos sonhos: de viajar, conhecer lugares, comer bem, comprar uma casa, carro, roupas, celulares, computadores, seja lá o que for confortável para cada qual.
Por que é assim?
Sou apaixonada por tantas coisas da vida que ainda não sei, ainda não decidi o que quero fazer com um afinco de verdade. E daí, se o que eu quero não me traz mares de dinheiro? E daí, se eu não quiser ser engenheira? E daí, se eu quiser filosofar, falar de literatura ou história ? E daí, se eu não quiser obter títulos de graduação, mestrado, doutorado ou qualquer coisa do tipo? Isso me faz uma pessoa melhor? Não.  Mais interessante? Sim, para o mercado de trabalho e para a sociedade ou se te fizer feliz, mesmo. E daí, se eu não quiser ocupar um cargo máximo de uma empresa conceituada? E daí?
Penso que a vida não precisa seguir à risca essa ordem de realizações. Quero ser várias coisas, e dentro dessa variedade, é mais do que uma faculdade, mais do que um emprego, mais do que uma vida de assalariado, mais do que níveis de inteligência (mania ridícula da sociedade de valorizar o ser humano pelo nível acadêmico, tem tanto trabalhador de rua com uma concepção melhor do que a de um deputado federal...). Falo do real significado da inteligência, o conhecer, o compreender. O conhecimento da natureza, do espírito, do amor, da nossa própria vida.
Tenho plena certeza de que serei realizada e que minha vida no futuro vai ser muito feliz e que saberei discernir minhas escolhas. Minha essência será um das direções para dizer o que é melhor para mim e as pessoas que me respeitam, me amam entenderão se não for aquilo que elas esperavam. Parafraseando um dos meus filósofos favoritos, o verdadeiro conhecimento vem de dentro, e deste -conhecimento-, sei que aos poucos e muitos, em cada momento, vou buscando e ele vai se mostrando para mim como um caminho. E por favor, tenha a mínima consciência que não se trata de utopia.
 

''Traduzir uma parte na outra parte" Copyright © 2012 Design by Antonia Sundrani Vinte e poucos