quarta-feira, 26 de junho de 2013

Postado por Marcella às 22:29 0 comentários


toda palavra tem um som

que não é a sua voz quando lê

que não é a sua fala

cochichada dentro do seu

próprio silêncio







toda palavra tem um som

que você tenta repetir

que é muito diferente

daquele que faz

quando tentamos

falá-las




toda palavra tem um som

mas a gente apenas diz

sem saber o que ela fala

segunda-feira, 24 de junho de 2013

É.

Postado por Marcella às 13:43 0 comentários
Por você, tratei de ajeitar as coisas no meu peito como alguém que limpa a casa para receber visitas.

domingo, 23 de junho de 2013

Só isso

Postado por Marcella às 13:21 0 comentários
Uma mulher não perdoa uma única coisa no homem: que ele não ame com coragem. Pode ter os maiores defeitos, atrasar-se para os compromissos, jogar futebol no sábado com os amigos, soltar gargalhada de hiena, pentear-se com franjinha, ter pêlos nas costas e no pescoço. ''Qualquer coisa'' é admitida, menos que não ame com coragem. Amar com coragem não é viver com coragem. É bem mais do que estar aí. Amar com coragem não é questão de estilo, de gosto, de opinião. Não se adquire com a família, surge de uma decisão solitária. Amar com coragem é caráter. Vem de uma obstinação que supera a lealdade. Vem de uma incompetência de ser diferente. Amar para valer, para dar torcicolo. Não encontrar uma desculpa ou um pretexto para se adaptar, para fugir, para não nadar até o começo do corpo. Não usar atenuantes como “estou confuso”. Não se diminuir com a insegurança, mas se aumentar com a insegurança. Não se retrair perante os pais. Não desmarcar um amor pela amizade. Não esquecer de comentar pelo receio de ser incompreendido. Não esquecer de repetir pela ânsia da claridade. Amar como se não houvesse tempo de amar. Amar esquisito, de lado, ainda amar. Amar atrasado, com a respiração antecipando o beijo. Amar com fúria, com o recalque de não ter sido assim antes. Amar decidido, obcecado, como quem troca de identidade e parte a um longo exílio. Amar como quem volta de um longo exílio. Amar com sofreguidão, não adiando o que é véspera. Amar não disfarçando as mãos, amar com os fantoches das mangas. Amar como uma canoa engatinha na margem, árvore deitada de bruços. Amar quase que por, por bebedeira, amar sem dizer por que ama. Amar desavisado, com vírgula entre o sujeito e o verbo. Amar desatinado, pressionando a amar mais, a amar mais do que é possível lembrar.
Amar com coragem, só isso.

terça-feira, 4 de junho de 2013

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Postado por Marcella às 16:33 0 comentários
bebia da água, engolindo o próprio reflexo
tinha apenas sede,
não enxergava a própria face
ainda que enxergasse, veria nada.

como se reconhecer quando não se conhece?

engolia sem questionamento
mal sabia o que passava por dentro
nem interessava
da onde vinha tanto medo

apenas engolia, maquinal
tudo que havia, abismal
na tentativa de se compor
e se tornar maior.

e ao engolir o próprio ser
se nutria de si,
na tentativa de pausa de si,
ainda mais infeliz.

meu amor, não há água no mundo
que reflita o que tu não refletes,
nem pausa que me regue.
 

''Traduzir uma parte na outra parte" Copyright © 2012 Design by Antonia Sundrani Vinte e poucos