quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Encontro

Postado por Marcella às 16:32
Estou pensando em você e quero te ver. Admito, preciso só de você, de qualquer jeito. Nem que seja pra compartilhar o silêncio, um cigarro, uma vitamina de morango com sorvete. Mas preciso de você. Qualquer você.

Você de doce ou  implicante. Ou você alegre, me jogando no sofá como se eu fosse um dog de estimação ou uma almofada indiana. Sei lá. Invada a minha sala, o meu jeans e a minha camisa de botão. Mas, peço que se demore por aqui. Me traga uns beijos na testa, umas mordidas no canto da mão e umas lambidas na cara de quando queria me irritar na frente dos nossos amigos. Sinto falta de você, de mim e de nós.

Vez em quando, proponho a mim te esquecer. Ai, logo após uns segundos, lembro uns risinhos seus e daquelas ajeitadas de cabelo que balançavam meu mundo inteiro e acabando esquecendo o que me propus. Noutros momentos, tenho vontade de te sacudir só para tentar roubar segredos de como conseguiu me esquecer assim tão fácil. Em que médico foi? Qual remédio tomou? É comprimido ou em gotas? Quantas vezes ao dia? Fez quimioterapia? Banho de sal grosso? Sei lá. Vejo o seu sorriso por aí e teus dentes gritam que já não sou mais inquilina do teu corpo. E eu que já te vomitei como uma alcoólatra em dia de porre, cada vez mais sinto você aumentando aqui dentro nesta gravidez eterna.

Mas logo mais, quando a noite chegar, você sentirá que precisa mais de mim do que imagina. Vai jurar que não, mas no fundo, no fundo, assumirá a falta que te fiz nos seus dias. Vai dizer de todas as bandas novas que ouviu e pensou em colocar no iPod para ouvir junto comigo. Vai contar sobre as novas cidades que conheceu e sobre os cartões portais que me escreveu, mas não me enviou. Vai relembrar cada gargalhada que deu e que ficou triste logo após notar que não iria me contar o motivo da tua felicidade.

Eu tô com um tanto de novidades. Novos livros. Novos autores. Novos filmes me fazem chorar como uma menininha. Talvez, agora, lendo isso aqui ou perdido entre os cigarros, você queira voltar. Volta. E a gente prova ao mundo inteiro que em um segundo de encontro, o nosso amor cura todas as eternas horas afastados.

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