É fácil colocar o dedo na cara
e chamar de ladrão.
Brandar que ''ladrão bom é ladrão morto'',
mas vai saber
se ele não roubou por fome.
Não, não digo que isso justifica
ou que defendo o crime, a violência.
Vá reconhecer e culpar o verdadeiro responsável
pelo embrião dessas mazelas.
É fácil chamar o índio de preguiçoso.
Experimente ser expulso da sua casa,
ter sua cultura exterminada,
veja seus irmãos serem assassinados
pelo frio calibre do ''homem civilizado''.
Não é tão fácil né?
É fácil enxotar o negro.
Em uma sociedade de privilégios brancos,
onde não se tem espaço,
saúde, educação, emprego, respeito
pra esses cidadãos oprimidos diariamente.
É fácil sentir o cheiro de comida, da casa limpa, da cama macia.
É fácil garantir o funcionamento de todos os ''apetrechos babilônicos''
e não lutar pelo garantia do bem comum,
não lutar pelo coletivo.
É fácil consumir uma infinidade de coisas
que, realmente, não tem necessidade.
É fácil ignorar o grito de socorro da natureza.
É fácil apoiar um sistema que fode com as nossas vidas,
com o nosso bolso, com a nossa dignidade.
É fácil esquecer o outro
porque colocaram em nossas cabeças
a tal da competitividade.
Basearam nossas relações
na lógica do mercado.
É fácil ler isso tudo
e se dizer saturado dessa realidade.
É fácil apontar os dez dedos,
fundamentar-se em ideias rasas
e vim falar de senso de justiça
quando não é você
quem está no batente.
Abra a cabeça.
Enxergue.
Não é fácil.
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