sexta-feira, 18 de abril de 2014

Sol isso

Postado por Marcella às 22:16
É sempre igual. Você pinta na área e eu fico assim... corada. Se no meu corpo encosta, suando já estou e quando me olha nos olhos, pronto, sem esforço os faz minguar. Esforço faço eu em tentar reabrí-los e novamente te encarar. E você me diz com o olhar: tola. É assim nossa relação: você me queima e sabe disso. Certas horas pesa sobre mim e exige minha mais profunda paciência. Exige algo que por vezes me falta. Faz evaporar minha vida, literalmente. Faz com gosto e faz bem feito. E todo dia eu te olho e fico boba, sem saber como te alcançar sem antes morrer e chegar a pó. E não há problema algum em morrer. Problema há em morrer sem em ti encostar. Não é justo em mim só você chegar. O amor não é assim. O amor é troca.


É sempre igual, todo dia. Todo dia, por horas você vai dar uma volta e quando reaparece, finge ver-me pela primeira vez, todo indiferente, cheio de si como se não nos conhecêssemos da eterna véspera. Não tenho aptidão para esse tratamento não, meu bem! Agora me diz: qual é a tua? Só me fornecer a vida? E eu fico aqui te olhando todos os dias? Diga. Diga! Não fique me olhando como se eu passasse por distúrbios por você causados, não!


É sempre igual, todo dia, várias horas. Eu fico sob sua visão esperando o momento em que vamos nos fitar e nos entender somente por isso mesmo. E neste momento você vai deixar de ser o astro e eu de ser corpo. Seremos uma troca, sol isso.

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