Nós perdemos, nós ganhamos. Temos aquilo a que chamamos de liberdade.
Somos todos livres, mesmo existindo relações a que damos vulgarmente o nome de ‘amizade’ ou ‘amor’ para nos juntarmos em grupos, para fazermos parte de alguma coisa e sermos, realmente, alguém. Se formos a tentar saber qual é o valor de mil pessoas no Universo, não é praticamente nenhum. Parecemos insignificantes formigas, tontas, no nosso minúsculo Universo, criado à nossa medida. Vivemos, muitas vezes, como se não existisse mais nada para além disso, para além das leis a que estamos sujeitos, nada para além da nossa ‘costa’, nada para além dos afazeres, nada para além do que vemos.Vivemos com o que as outras formigas nos dizem ser certo.
Mas, deu-me para pensar no que efetivamente nos torna diferentes e faz com que a nossa existência seja preciosa. São as ligações, as relações. Essas,são a razão.
Existem, no meio do formigueiro, algumas ou alguma que nos faz pensar que seríamos capazes de abdicar de nós mesmos pela ‘amizade’.
Todos crescemos e somos atropelados uns pelos outros, apesar de irmos todos para o mesmo lugar. Todos envelhecemos, perdemos, mas nem todos esquecemos.
Esquece quem não tem de quem se lembrar. Não sejamos tão impertinentes com a vida. Lembrei-me de quem, daqui a uns anos, poderia nunca mais ver. Lembrei-me de quem, daqui a uns anos, ainda me vou lembrar. Espero, claro, conseguir continuar com esta união. Também vocês esperam continuar com algumas das vossas, mais do que as outras. Espero conseguir ver se teve sorte, se continua a mesma, se está a sair-se bem, se tem quem faça o que faço agora por ela.Vamos refrescando as nossas relações, fazendo ‘upgrades’.Mas existem sentimentos que não mudam.
Existem formigas que valem mais que as mil, por quem subíamos ao monte mais alto e abanava-mos uma bandeira branca com toda a pujança, para tentarmos aumentar o nosso tamanho, por quem parávamos o mundo para as deixar passar, por quem quebramos esta nossa rotina, esta nossa vida egoísta por natureza.
As pessoas, pelo menos como essa de que me lembrei, valem a pena!
Aliás, são o que nos torna imensos, o que nos faz estar, o que nos faz ficar, ir e voltar. Se uma pessoa, por mais minúscula que seja, consegue marcar a vida de outra, pelo menos na medida em que o seu ‘estatuto’ não muda ano após ano, então, não seremos assim tão pequenos, tão fracos, tão insignificantes.Existem pessoas por que faz sentido perder o comboio para apanhar o próximo, por quem vale a pena esperar para podermos ver uma nascente em conjunto, por quem vale a pena correr, acreditar, escutar… ser.
É um ciclo. Todos nos movemos por alguém, ou por alguns ‘alguém’.
E, infelizmente, todos nos esquecemos dia após dia de agradecer a quem devíamos.
Esquecemo-nos de lhes agradecermos por nos chatearem, por nos ‘esmolarem’, por nos cansarem, por nos fazerem sentir pequenos ao lado deles.Se não fosse isso, não faria sentido cá estar.Agradecer por nos gastarem, por fazerem de nós úteis, por fazem de nós alguém no meio da multidão.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
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