quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
espinho e vida
Nem sempre é fácil viver.
Há dias amenos, com gosto do mesmo pão com ovo que você janta todos os dias. Há dias que machucam, como espinho escondido na sola da sandália: inerte, o espinho não agride seu pé: é você, com o peso das próprias pegadas, que busca o espinho.
Você anda, fere.
Há um espinho preso na sola da sua sandália, há o movimento dos seus passos, há o peso do seu corpo, há a dor: tudo programado pelo ato de ir e vir: um pequeno déjà vu corporal: mas, me diz, por que você anda?
Por que, então, você anda?
Por que, mesmo sabendo que vai doer, você anda?
A dor é suportável. É preciso mover-se. É só um espinho. Não vai te matar. Você precisa trabalhar. Há contas para pagar. É preciso buscar seu filho na escola. Tem que estudar. Não pode faltar. É aniversário da sua mãe. É dia dos pais. É prova da faculdade. Hoje tem festa. Você acredita no futuro. Você espera que as coisas melhorem. É só uma tempestade, vai passar. Você não tem pra onde ir, então continua indo.
Por que, mesmo sabendo que vai machucar, você anda?
Otimismo? Já viu alguém conseguir? Acredita na felicidade? Deus vai resolver tudo? Alguém depende de você? Você não está sozinho nessa? Você apenas quer? Você acha que consegue? Acha que vale a pena? Não é abismo, é montanha?
Por que, mesmo sabendo que há um espinho, você anda?
Por que há alguém do outro lado. Te esperando.
Alguém que vai andar descalça com você até os dias amenos, com o gosto do mesmo pão com ovo que você janta todos os dias.
Nem sempre é difícil viver.
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