sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

sendo assim

Postado por Marcella às 22:13


Numerosos são os homens e as mulheres e as crianças da cidade

Eles correm, apressados, loucos varridos e nunca olham pra trás

Ou pra o lado ou pra dentro ou pra o outro;

Apenas seguem em frente, firmes, como carros desgorvernados

Atropelam sonhos, aleijam amores, passam por cima da vida.



O sangue jorra de olhos como os meus

Mera testemunha ocular de um crime que também cometo

Só por ser pessoa como eles.

Somos da mesma raça, seres humanos do mesmo mundo

E carregamos como herança o crime dos nossos irmãos.



Não há salvação pra ninguém

Nossa família está toda corrompida

A janta é solitária, o almoço esfriou e o café da manhã não foi posto.

Estamos sós, cada um, cada todos, cada cada

Lutando pela própria vida

Enfrentando as próprias dores e dificuldades e fomes.



Matamos pra nos mantermos vivos

Somos animais que pensam

Os piores criminosos

Pois nosso crime é consciente

Há razão no nosso disparo

Há vontade na nossa faca

Há planejamento no nosso soco.



Essa é nossa vida

Onde quem não mata, verá morrer

E quem não morre, verá matar.



Não somos melhores por sermos passionais

Não somos dignos por sermos racionais

Somos tão ou mais cruéis que os que cometem

O que não tivemos, por hora, coragem de cometer.



Nós temos dinheiro, carro, roupas de marca

Sexo pago, cigarro, cervejas e uma gorda conta bancária

Temos filmes, pipocas e coca-cola

Propagandas, bonés e tênis bacanas

Temos maquiagem, vestidos caros, jóias precisosas

Motos arrojadas, comidas finas, móveis nobres

Temos relógios de ouro, canetas de diamante, brincos de peróla

Temos tanta coisa pra comprar

Mas do que adianta, afinal?

Nada que custe dinheiro vale a pena ter.

….

Somos pobres banais

Desacreditados

Desvairados

Perdidos

Não nos olhamos mais

Não nos tocamos mais

Não nos sentimos mais



Estamos cada vez mais ricos e o diabo

Comprando carros de luxo

Conquistando mulheres gregas e troianas

Lindas modelos, gostosas e bem torneadas.

Nossa casa é bacana,

Tem quadros raros

Quartos largos

E a maçaneta da porta é de ouro.



Somos pobres banais,

Batalhamos tanto por dinheiro

Lutamos tanto pela riqueza

Trocamos o amor por um cheque

E nos tornamos ganância, luxúria e ambição acima de tudo.



Agora,

Depois de tanto correr atrás de grana

De riqueza e de fortuna e de vinhos caros

Seremos homens e mulheres e crianças

Vivendo os piores dias da vida

Nas poltronas mais confortáveis da loja.



Embaixo de qual cama estão os abraços que a gente deixou de dar?

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