domingo, 13 de janeiro de 2013

lasanha congelada

Postado por Marcella às 00:11

Amanheço este texto para você.

Escrevo a palavra janela: e coloco, em volta dela, algum canto de pássaro, algum estremecimento solar, algum céu cristalino que te faça exclamar, rotineiramente, que o dia está lindo e te desperte, nos lábios, um sorriso: mesmo que breve, automático, sutil, que este sorriso seja matutino, inocente de mundo, limpo de ruas, puro de problemas; um sorriso simples e arteiro, divertido e cálido, acolhedor e leve.


Na palavra cama, beijo sua boca, te abraço e, minutos depois, volto com café pra você: sanduíche quente, algumas frutas e um copo com suco de laranja geladinho: vejo você comendo durante alguns parágrafos, conversamos sobre amenidades durante linhas e mais linhas, até eu te arrancar alguns sorrisos com qualquer bobagem, com qualquer sotaque, com qualquer chiste da minha voz confusa: beijo sua boca, deito você na cama e, lá, nos tornamos nós apertados entre a gente.

No chuveiro deste texto, a água é escrita com a palavra quente. E você se banha. E eu vejo você se banhar. E o vapor do chuveiro se misturando ao seu corpo (atravessando suas ancas), aos seus olhos castanhos, ao seu cabelo, ao seu jeito menino e súbito de ser, escreve uma só palavra em mim: sonho.

Sou, neste momento simples e bonita, uma sonhadora: acredito que a felicidade realmente existe, acredito que o mundo tem salvação.Compraríamos uma casa na praia e viveríamos fora do mundo: realizados, de sonhos e de vida.

Entro no quarto e vejo você se arrumar: flagro cada gesto, sinto seu perfume,com um sopro, passa em si: meu olhar de águia visita cada pequeno movimento seu e eternizo você em fotografias na minha memória analógica: sei cada marca da sua pele, reconheço a identidade de cada pelo das tuas coxas, conheço cada poro do seu corpo: despidos de segredos e amarras, somos siameses: seu coração é o meu, assim como cada parte minúscula do meu interior é, também, do seu: vivemos uma relação mútua de presença, caminhamos pelas mesmas veredas: um amor só pra gente, feito para ser nossa companhia.


Você me ganha como se eu fosse o jogo mais fácil do mundo. Sou sua: há várias viaturas de você envolta da casa onde estou e, de mãos para cima, me rendo e me entrego com a felicidade de uma menina que precisa, veja só, da sua companhia: não é necessário disfarçar o que eu sinto com algo que eu não sinto: posso ser eu, embora não possa ser muita coisa: te faço sorrir e sou, ali, o bastante de mim.


Você é lindo, a vida é difícil, mas esqueço, nesta cena, de tudo isto: apenas te vejo, apenas te vejo, apenas te vejo; descubro que, talvez, eu te ame: é cedo demais, me dizem todas as pessoas, inclusive você: claro que é cedo demais: te amei de manhã, não é?!

Rimos. Você me acha uma boba. Eu me acho uma boba. Sou seu espelho e, a cada riso teu, há, refletido em mim, um riso meu. Ali, vendo você sorrir, só consigo me perguntar uma única coisa.


Será que há, na vida, algo melhor do que ser boba com você?

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